Agroextrativistas discutem desenvolvimento local sustentável

Durante os três dias de oficina os participantes conversaram sobre as expectativas do agroextrativismo em Boca do Acre

Muitos desafios são enfrentados por associações agroextrativistas em Boca do Acre. Desde os equipamentos até a venda dos produtos existem dificuldades que precisam ser superadas. Para debater esses assuntos os representantes de associações se reuniram na 2ª Oficina de Agroextrativismo de 20 a 22 de fevereiro no Salão Paroquial São Pedro, Boca do Acre. 

Cerca de 30 participantes discutiram durante os três dias as dificuldades e as oportunidades existentes para poder superar e conseguir vender seus produtos da melhor forma possível. A oficina foi organizada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) como parte das atividades do Fórum de Desenvolvimento Sustentável de Boca do Acre e contou também com a participação da Cooperação Técnica Alemã (GIZ).

Na primeira oficina realizada em fevereiro de 2012 os participantes estabeleceram a formação de uma rede agroextrativista com 13 associações, mutirão para credenciamento da Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP), estudo da produção das comunidades da Rede, entre outras metas. As atividades da Rede de Agroextrativismo de Boca do Acre inserem-se nas ações do Fórum de Desenvolvimento Sustentável. “Nós vemos que com a criação do Fórum começou a ter mudanças porque outros personagens fazem parte disso como a prefeitura e a câmara municipal”, afirmou José Everaldo Vieira Melo, presidente da Associação de Produtores e Produtoras Rurais Agroextrativistas do Seringal Macapá (APRACEMA).

Neste ano um dos objetivos é colocar os produtos das associações no mercado, em especial o mercado institucional através do Programa Aquisição de Alimentos (PAA) para aquisição de produtos de agricultores familiares e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Com essa Rede unida a gente vai conseguir realizar o sonho de cada associação e organização para que nós possamos ter bastante merenda nas escolas aqui de Boca do Acre”, explicou o indígena da etnia Apurinã, Valcir Vieira de Souza, presidente da associação Aptycam.

Cerca de 400 famílias organizadas em 13 associações participam da Rede. É esperado que até meados deste ano um grupo de 200 agricultores da rede esteja acessando o PAA assim como a merenda escolar seja colocada nas escolas de Boca do Acre, no limite mínimo de 30% conforme rege a lei. Uma série de reuniões será realizada em Boca do Acre e em Manaus. “As mais fundamentais serão aquelas com as secretarias de ação social e educação porque o primeiro passo é sempre dado no município”, destacou Josinaldo Aleixo, consultor do IEB.

No segundo dia de oficina os consultores montaram junto com os participantes quatro painéis nas paredes do salão para debater as cadeias de valor (castanha, frutas, óleos e grãos), desde a produção até o consumidor final, as instituições parceiras, os órgãos fiscalizadores e os possíveis financiadores. A partir dos painéis foram levantadas as oportunidades e os obstáculos enfrentados por eles. 

Por exemplo, sobre os grãos os agroextrativistas têm como oportunidades a terra fértil, recursos naturais abundantes, parceiros, políticas públicas, linhas de crédito e financiamento. Já os obstáculos são a falta de máquinas e equipamentos, falta de regularização fundiária, falta de estradas e transporte, entre outros. Em seguida os agroextrativistas sugeriram atividades que podem ser feitas para conseguir alcançar a visão de futuro que eles esperam.

Sukunak Apurinã é agente agroflorestal e conselheiro fiscal da Organização OPIAJBAM. Ele é da aldeia Camicuã e a comunidade trabalha com castanha, pequi, uxi, andiroba, tucumã, patuá, abacaba, banana, cacau e café. “O que eu levo para a minha comunidade Apurinã é uma experiência construtiva. Vou chegar na minha comunidade, unir o grupo, repassar as informações, o que foi falado nos três dias de oficina. Eu espero que a comissão que nós vamos fazer valorize toda essa expectativa, como produtores rurais e indígenas, e que valorize os nossos produtos”, disse Sukunak Apurinã.

No último dia de oficina os participantes definiram os responsáveis por cada encaminhamento, os parceiros que vão atuar em conjunto com os agroextrativistas, os órgãos que devem ser procurados e formaram uma comissão. “Eu espero ver portas abertas e o governo trabalhando junto com as pessoas”, disse Mário Souza da Cruz, presidente da associação Axioma.

Para Tatiana Balzon, assessora técnica da GIZ, os encaminhamentos que saíram dão a possibilidade de alavancar as cadeias a partir das possibilidades de mercado institucional como o PAA e o PNAE. “Além do mercado convencional, como a fábrica de açaí que é uma grande oportunidade de impulsionar a cadeia de frutas”, finalizou.

A Oficina de Agroextrativismo faz parte das atividades que o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável (PDLS) desenvolve no Sul do Amazonas com o apoio financeiro do Fundo Vale.

 







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