Comunitários se mobilizam para a criação de reservas extrativistas

A criação e gestão das reservas extrativistas no município de Lábrea/AM foi tema de apresentação para a troca de experiências no III Encontro Regional do Fortis, que aconteceu de 29 de junho a 1º de julho em Lábrea. AM.

A criação e gestão das reservas extrativistas no município de Lábrea/AM foi tema de apresentação para a troca de experiências no III Encontro Regional do Fortis, que aconteceu de 29 de junho a 1º de julho em Lábrea. AM. A luta das comunidades tradicionais junto a órgãos governamentais e não-governamentais é um modelo a ser seguido.

Segundo dados apresentados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), as reservas extrativistas de Lábrea estão incluídas no contexto da BR 319, a rodovia Porto Velho/RO a Manaus/AM onde a repavimentação é prevista pelo governo federal. “É um mosaico de unidades de conservação e um grande desafio por que são mais de um milhão de hectares”, esclarece a analista ambiental do ICMbio, Adriana Mota Gomes de Souza. A construção de grandes estradas é conhecida como porta principal de desmatamento e, a exemplo da destruição ambiental ocorrida na BR-163 que liga Santarém/PA a Cuiabá/MT, para não seguir essa mesma história, as reservas Médio Purus e Ituxi foram criadas com o intuito de forçar a preservação socioambiental e evitar o desmatamento.

O município de Lábrea tem aproximadamente 40 mil habitantes, fica às margens do Rio Purus e segundo diagnóstico do Imazon, ao lado de Apuí e Manicoré, apresenta, pelo segundo ano consecutivo, as maiores áreas de desmatamento. Hoje a melhor forma de chegar até a cidade de Lábrea é via rio ou aérea. Por terra a única alternativa ainda é a Transamazônica, intrafegável período das chuvas. É nesse contexto ambiental que atualmente se encontram as Reservas Extrativistas (Resex) Médio Purus e Ituxi.

A Reserva Extrativista do Médio Purus foi criada em maio de 2008 por decreto presidencial e, a associação comunitária das mais de 880 famílias já existia antes de virar uma Resex. Para se ter uma ideia do tamanho da área, do início ate o final da reserva, são necessários quatro dias de lancha, numa velocidade igual ou maior a 50km/h. Responsável por fiscalizar a área, o ICMbio está fazendo o planejamento de manejo com os comunitários, priorizando a vocação econômica das comunidades que é a pesca.

Resex Ituxi: um modelo a ser seguido

O decreto assinado em 05/06/2008 mudou a vida dos moradores da Resex Ituxi. Com 14 comunidades e aproximadamente 600 famílias, a reserva de 776 mil hectares tem muita história para contar. E contou. Beneficiados com as ações de capacitação e fortalecimento da associação pelo Projeto Fortis, o registro da mobilização social, organização comunitária e conquista da cidadania representa um esforço de reflexão e de registro histórico de uma experiência social vivida intensamente no interior da Amazônia brasileira. A obra, lançada durante o encontro, é de organizada pelo consultor Josinaldo Aleixo e de autoria coletiva da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembléia de Deus do Rio Ituxi (Apadrit). Liderados pelo Pastor Antônio Vasconcelos de Souza, que chegou a região no ano de 1995, os comunitários falam das dificuldades internas e externas vividos durante os longos oito anos até se transformar em uma área protegida. Ameaçado de morte, hoje o Pastor fala com orgulho da luta e da dignidade conquistada pelo povo do Rio Ituxi. Sua história está registrada para que o sul do Amazonas seja um modelo a ser seguido.







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