A conquista do almejado título da terra

Agricultores familiares recebem o documento da terra no município de Boca do Acre

A espera de quase trinta anos de Marta Rosa de Souza e seu marido, Francisco da Silva Ferreira terminou no dia 8 de dezembro com a entrega do título definitivo de sua terra na comunidade Monte Verde, no município de Boca do Acre. “A emoção é grande, eu me senti alegre porque a gente sabe que é um documento definitivo. Eu tinha essa esperança de receber esse título. Às vezes a esperança dele era pouca, mas a minha nunca falhou”, conta emocionada.

O trabalho foi realizado pelo Programa Terra Legal do Amazonas e do Acre com a parceria do movimento social para promover a segurança fundiária e a melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares. “A entrega desses títulos representa a conquista de uma luta, um sonho que tantos almejavam”, afirmou Cosme Capistano, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) local. “Foi a vitória de uma batalha vencida porque se considerar as distâncias amazônicas e a distância em relação à sede do programa em Manaus, conseguir entregar títulos aqui é sempre vitorioso”, explicou Luiz Antônio, coordenador do Terra Legal no Amazonas.

“Receber o título foi emocionante porque eu achava que não ia dar certo. Estou muito feliz com essa conquista”, comemora Rosineide da Silva Bastos, presidente da comunidade Monte Verde e mãe de três filhos. “De toda a minha vida a maior conquista foi receber o título, eu não esperava por isso nunca na vida”, disse João Ferreira Santiago, que recebeu o documento aos 90 anos de idade e vive na comunidade Canto Escuro Central. “Vai servir para a minha família e meus filhos”.

A avaliação de Antonio Braña Muniz, coordenador estadual de Regularização Fundiária na Amazônia Legal no Acre, foi positiva porque “há 30 anos não emitíamos títulos de regularização fundiária em Boca do Acre. Nós estamos vivendo as parcerias nas esferas de governo, com o movimento social e o Ministério Público”, explicou. Como ponto negativo ele citou o trabalho das empresas de georreferenciamento. “Isso tem sido um gargalo porque temos que voltar no campo para consertar o trabalho que a gente com muita dificuldade conseguiu organizar e implementar”.  

De um total de 60 títulos cerca de metade foi entregue no evento. Os outros títulos ficarão disponíveis no escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para serem entregues em janeiro e fevereiro. Luiz Antônio avaliou a possibilidade da próxima entrega ser feita nas próprias comunidades. “Nós sabemos a dificuldade que o agricultor tem de sair da localidade para vir até a cidade. Em geral ele precisa combinar um conjunto de atividades para compensar a ida porque custa muito caro. Não basta produzir o título se não puder entregar para cada uma dessas famílias”, afirmou. Segundo ele, o desafio do Terra Legal em 2015 para Boca do Acre é consolidar o programa e terminar de georreferenciar as áreas pendentes. 







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