Consórcio Fortis defende a parceria de várias organizações

Ao longo de cinco anos, o Fortis atendeu 65 organizações comunitárias com apoio em assessoria técnica, cursos de capacitação e oficinas de trabalho. Mais de 4,5 mil pessoas passaram por capacitação sobre manejo de recursos naturais, associativismo...

Ao longo de cinco anos, o Fortis atendeu 65 organizações comunitárias com apoio em assessoria técnica, cursos de capacitação e oficinas de trabalho. Mais de 4,5 mil pessoas passaram por capacitação sobre manejo de recursos naturais, associativismo, legislação ambiental e gestão territorial; que atendeu as comunidades tradicionais, povos indígenas e moradores de unidades de conservação. Esse resultado foi apresentado na manhã do primeiro dia do III Encontro Regional do Consórcio, que aconteceu em Lábrea, AM, entre os dias 29 de junho a 1º de julho e contou com a presença de mais de 150 participantes entre lideranças comunitárias, instituições governamentais e não governamentais.

O balanço apresentado pelo coordenador do projeto Fortis, o agrônomo Ailton Dias, no primeiro dia do encontro, mostrou a preocupação das instituições em promover o fortalecimento conjunto das comunidades para fomentar o desenvolvimento sustentável da região. “A aposta sempre foi fortalecer as associações, para que as pessoas tivessem plenas condições de enfrentar o desmatamento”, explicou Dias, que completou a avaliação acrescentando outros números expressivos do Fortis: 246 pessoas fizeram intercâmbios de experiências em outras regiões da Amazônia; seis conselhos gestores de Unidades de Conservação (UCs) tiveram apoio com capacitação e assessoria especializada; sete UCs estaduais e federais receberam apoio para gestão participativa e capacitação de lideranças e técnicos. Mais de três milhões de hectares de floresta foram beneficiados, contando o potencial e a extensão do trabalho em toda a região do sul do estado do Amazonas. “O jeito do Fortis trabalhar é muito específico. São poucas as experiências como essas dentro da Amazônia”, avaliou o coordenador.

Desafios para os próximos anos

De acordo com o planejamento inicial, o Fortis conseguiu realizar a maioria das ações. Porém, ainda há uma demanda grande de apoio, frente as ameaças e avanços do desmatamento na região. “É um processo que não acontece da noite para o dia, vem lentamente e aos poucos para se ter avanços significativos”, conclui Ailton. Ele ressaltou que ao longo do projeto a entrada de novos financiadores foi fundamental para alcançar o resultado conquistado. Além de contar com o apoio principal da USAID, o IEB contou com financiamentos da União Européia, da Fundação Moore, do Fundo Vale e do Ministério do Meio Ambiente. Aílton explicou que a governança ambiental da região está longe de ser a ideal, e exemplificou que antes do Fortis existir, não tinha nenhum órgão ambiental federal com sede em Lábrea e, passados cinco anos de projeto, além da criação de reservas extrativistas e ambientais, a região conta com a presença física do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Ainda na abertura das atividades, cada parceiro mostrou um pouco das conquistas alcançadas. Coordenados pelo IEB, em seguida falaram o CSF, a Kanindé e a ACT Brasil.

Reconhecido por elaborar pesquisas e treinamentos, o CSF, divulgou as ferramentas utilizadas no projeto pela instituição. “No Fortis fizemos treinamento para conservação, oficina de turismo indígena na terra indígena (TI) Nove de Janeiro (RO), e oficinas técnicas de como elaborar um plano de negocio”, anunciou o representante da instituição, Marcos Amend. Também falou do trabalho realizado para o Departamento Nacional de Infraestrutura (DNIT) onde foram desenvolvidos estudos relacionados ao projeto de repavimentação da BR-319 e a sustentabilidade das Unidades de Conservação (UCs). “Apresentamos uma estimativa de quanto custaria a implementação das UCs para evitar o desmatamento na área e vimos, no estudo, que é mais barato desmatar do que manter a floresta em pé”, disse Amend.

O componente indígena do projeto foi apresentado pela Kanindé e ACT- Brasil. As duas instituições conhecidas pelo trabalho desenvolvido com os povos indígenas expuseram experiências que fortaleceram a autonomia e o resgate cultural dos povos beneficiados dentro do Fortis. Foi assim com a apresentação do diagnóstico etnoambiental apresentado pela Associação do Povo Indígena Jiahui – APIJ, que teve a associação fortalecida com a aquisição de um espaço físico, equipamentos de escritório e capacitações administrativas e financeiras pela Kanindé. Também a Organização do Povo Indígena Parintintin da Amazônia (Opipam), computou melhores condições de trabalho, articulação política e apoio a outras organizações indígenas para articulação, conforme apresentou a estagiária da organização, Josélia Parintintin: “ajudou na parte administrativa e financeira e principalmente ajudou a gente a se reunir para manter a cultura viva”. Ela resumiu a importância do projeto para os povos indígenas beneficiados, “o Fortis para todos nós foi super 10”.







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