Consórcio Garah Itxa apoiado pela Usaid lança Corredor Etnoambiental Tupi Mondé no Rio+20

Esse foi o tema de palestra realizada na manhã do dia 15 de junho, por indígenas das etnias Suruí, Gavião, Zoró, Cinta Larga e Arara, em conjunto com organizações da sociedade civil.

“A união dos povos Tupi Mondé e sua luta na defesa de direitos e da conservação da biodiversidade, cultura e proteção do território”. Esse foi o tema de palestra realizada na manhã do dia 15 de junho, por indígenas das etnias Suruí, Gavião, Zoró, Cinta Larga e Arara, em conjunto com organizações da sociedade civil. O evento foi realizado na Cúpula dos Povos, maior evento paralelo da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, o Rio+20 e fez parte do lançamento do Corredor Etnoambiental Tupi Mondé, região localizada na região norte do Brasil e que é constituída por esses cinco povos que são do tronco lingüístico Tupi e da família Mondé.

A região do Corredor, que atinge os estados de Mato Grosso e Rondônia, chamou a atenção da Usaid por sua exuberante biodiversidade com raras espécies da fauna e da flora amazônica. Como forma de proteger o local, sua biodiversidade e os povos que nela residem e de realizar trabalhos e atividades em parceria foi criado o Garah Itxa, consórcio que reúne organizações da sociedade civil como a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - Coiab, a Conservação Estratégica (CSF), a Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam) e o Instituto Internacional de Educação no Brasil (IEB), este último que lidera o Consórcio.

Em sua fala de abertura o cacique Almir Suruí disse que o Corredor é uma região de grande importância para o meio ambiente e para a cultura do seu povo. “Estamos aqui para mostrar o potencial que o Corredor possui, para unificar a visão de proteção dos parceiros e para mostrar como os indígenas estão colaborando com a sustentabilidade”, explicou.
Desde que o as atividades do projeto começaram, em 2009, foram desenvolvidos trabalhos com inúmeras comunidades utilizando instrumentos suficientes para se criar um plano sustentável na
região. Exemplos disso são os planos de proteção, diagnósticos etnoambientais, fortalecimento institucional das associações indígenas, além de cursos e capacitações.

De acordo com Ivaneide Cardozo, coordenadora da Kanindé, o Corredor traz consigo uma idéia de sustentabilidade, de respeito dos povos e de solidariedade. “Isso é uma das coisas mais importantes que o mundo está perdendo. As pessoas querem modificar o planeta apenas pensando nelas próprias ao invés de pensar no próximo”, afirmou. Marcos Apurinã, coordenador da Coiab, disse no evento que o Corredor deve se preservado pois os indígenas estão mostrando que são capazes de sobreviver frente à diversidade. “O Rio+20 está tentando criar um modelo de desenvolvimento sustentável para o mundo. Nós já mostramos para o Brasil a receita para esse modelo, mas fomos ignorados”, afirmou o indígena.

No evento também foram lançadas as publicações Diagnóstico Etnoambiental Participativo, Etnozoneamento e Plano de Gestao em Terra Indígena – TI Igarapé Lourdes e o Etnozoneamento da Terra Paiterey Kahah.

Sobre o Corredor

O corredor é habitado por aproximadamente 4 mil pessoas e corresponde a uma área de 3.522.754 milhões de hectares. Fazem parte as terras indígenas Sete de Setembro (RO/MT), Zoró (MT), Serra Morena (MT), Aripuana (MT), Parque Indígena do Aripuana (MT), Roosevelt (RO) e Igarapé Lourdes.







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