Curso de gestão de recursos naturais

IEB realiza capacitação em Belém com profissionais do Marajó e Baixo Tocantins
Apresentação durante o curso em Mosqueiro, distrito da cidade do Pará
Apresentação durante o curso em Mosqueiro, distrito da cidade do Pará

Na região praiana de Mosqueiro, distrito da cidade de Belém, no Pará, aconteceu, entre os dias 21 e 24 de novembro, o curso Gestão dos Recursos Naturais e Agroextrativismo na Amazônia Paraense, com a participação de profissionais que lidam diretamente com agricultores familiares e populações agroextrativistas.

A capacitação foi realizada pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Instituto Federal do Pará (IFPA) - Campus Castanhal, instituição que certificou os participantes na modalidade Formação Inicial e Continuada (FIC).

O curso reuniu 40 pessoas que atuam nas regiões do Marajó e do Baixo Tocantins. Além de repassar conceitos, a capacitação foi uma troca de experiências em metodologias de atuação com o objetivo de se de aprimorar o trabalho em campo.

De forma interdisciplinar, o público construiu conhecimentos práticos ligados  às políticas públicas, à agricultura de base ecológica e à organização sócio-política das comunidades. Os debates foram construídos a partir da leitura de textos de autores como Paulo Freire, e também da vivência dos participantes que era socializada durante as atividades.

Antônio Vaz é mediador de oficinas do Projeto de Desenvolvimento Local (PDL), em Portel, no arquipélago do Marajó.  Ele atua em uma área que já foi conhecida como a “Terra da Madeira” e que hoje convive com a escassez do recurso. Filho de agricultores, Antônio avalia que o público com quem trabalha ainda tem muito a aprender e a conquistar em termos de políticas públicas.  Ele também conta que o curso vai ajudá-lo em sua atuação. “Quanto mais conhecimento tiver, mais poderei repassar para as comunidades. Apesar do avanço com o PDL, carecemos, ainda de eletricidade para verticalizar o que produzimos. Garantimos nosso território, mas precisamos usá-lo de forma sustentável.”, relata Vaz, ciente de que a gestão dos recursos da natureza depende de uma série de fatores, inclusive estruturais.

O consultor da área de economia solidária, Francisco Fortes, estava entre os participantes que observou a abrangência da capacitação. “Uma das coisas que discutimos é como podemos fortalecer o conhecimento tradicional das comunidades, de modo que elas façam frente ao agronegócio, que não sabe gerir seus recursos naturais de forma sustentável”, conta o economista, que avalia o curso como sendo útil para além da gestão dos recursos naturais. 

Para a professora Marines Rodrigues, os temas debatidos foram vastos e os depoimentos e colocações socializadas podem ser usados para melhorar a vida das pessoas. “Se eu colocar em prática tudo o que aprendi no curso, irei construir com a minha comunidade um olhar mais amplo sobre o lugar onde vivemos”, aspira a professora, que deseja desenvolver com seus alunos projetos de educação ambiental, em turmas do primeiro ao quinto ano, em uma escola ribeirinha na comunidade Rio Furo Grande, no município de Abaetetuba, região do Baixo Tocantins.

O Programa Bolsa Verde (PBV), do governo federal, também esteve entre os assuntos apresentados e discutidos durante a programação. A analista ambiental Renata Apolônio, representante do MMA, apresentou, no último dia, detalhes sobre o Programa. Segunda ela, o PBV não se limita a transferência de renda para incentivar a conservação dos ecossistemas e o uso sustentável dos recursos naturais: “Um dos princípios do programa é a comunidade possuir um instrumento de gestão de suas áreas. O importante é que elas parem para pensar o que querem para o território. Por outro lado, queremos que os técnicos que vão para as áreas atendidas pelo Bolsa Verde discutam instrumentos de gestão que façam sentido naquela realidade”.

Sobre o curso, Renata destacou que a diversidade de experiências entre os participantes contribuem com o processo de avaliação do Programa. “A ideia é que o PBV seja um catalizador de outras políticas públicas em diferentes áreas. Os atores sociais percebem essa necessidade. Essa construção crítica vai culminar em contribuições diretas para incorporar ao programa no próximo ano, quando focaremos na qualificação dele”, explica. 

O aprendizado dos participantes teve a colaboração dos professores do IFPA - Campus Castanhal, Fernando Favacho e Romier Souza, que atuaram como facilitadores na capacitação. O primeiro abordou a importância da Educação do Campo e o segundo explico os diferentes tipos de agroecossitemas e seus manejos.

 Um dos temas discutidos durante a oficina foi organização social. O debate contou com a contribuição da representante do Grupo de Mulheres de Abaetetuba, Maria Antônia Rodrigues, e do representante do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, José Ivanildo Brilhante. Ambos discutiram sobre o valor da organização local e das estratégias de apropriação das políticas públicas pelas populações extrativistas e agricultores familiares.

 Foram selecionados para o curso 120 participantes, de um total de 200 inscritos. Ainda este ano, haverá mais duas edições da capacitação, com a mesma abordagem, mas com públicos das regiões Oeste e Nordeste do estado do Pará, respectivamente nas cidades de Santarém e Bragança. Os cursos têm o apoio da Embaixada Britânica no Brasil, Usaid e Fundo Vale.

 

 







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