Etnografias de conflitos, além das mediações

Turma de Analistas Periciais em Antropologia do MPF se reúne em Brasília para discutir a prática pericial

Uma turma de 21 Analistas Periciais em Antropologia do Ministério Público Federal (MPF) se reuniu em Brasília de 08 a 12 de setembro para o curso “Etnografias de conflitos, além das mediações”. O objetivo do curso foi ampliar os conhecimentos e habilidades dos antropólogos do MPF necessários à investigação e análise de situações de conflito envolvendo grupos sociais, organizações e instituições com interesses diversos ou antagônicos, assim como entre tais segmentos e o Estado e suas políticas públicas.

O curso contou com a coordenação pedagógica de Henyo Barretto, diretor acadêmico do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e a participação de três colaboradores: Giovana Acacia Tempesta, Coordenadora Geral de Identificação e Delimitação de Terras Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai), Cleyton Henrique Gerhardt, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS e Olympio Barbanti Jr., doutor pela London School of Economics, que tem assessorado órgãos públicos, entidades de direito privado e organizações internacionais na área de análise e gestão de conflitos.

Uma singularidade do curso foi ter seu plano de ensino elaborado de forma colaborativa, entre os próprios analistas periciais, o coordenador e os colaboradores, por meio de uma lista de discussão na Internet, favorecendo uma abordagem dialógica no tratamento dos temas.

“O curso foi fundamental porque conseguiu articular esse conhecimento de maneira que houve uma circulação de elementos que estavam muitas vezes isolados na atuação de um antropólogo em uma região específica”, afirmou Miriam Chagas, analista pericial da Procuradoria da República da 4ª região de Porto Alegre. “Foi muito bem conduzido no sentido de valorizar as experiências dos analistas periciais e os colaboradores trouxeram vários elementos para refletir a nossa prática, o nosso conhecimento e a questão socioambiental”, completou.

Os analistas apresentaram suas experiências em torno de três contextos: conflitos fundiários/territoriais e ameaças a direitos; disputas e conflitos internos aos povos e comunidades; e efeitos idiossincráticos de políticas públicas e impactos de grandes projetos. “A dinâmica de apresentação dos casos dos nossos colegas nos proporcionou reflexões muito interessantes, além de ter sido enriquecedor serviu para pensar o que vem pela frente para nós”, explicou Rebeca Campos Ferreira, analista pericial da Procuradoria da República de Ji-Paraná, em Rondônia.

Ao final, em exercício de sistematização dos aprendizados construídos ao longo do curso, os analistas periciais destacaram as principais contribuições da semana, revisitaram criticamente o seu papel e o do MPF na análise e na mediação de conflitos, e apresentaram sugestões de continuidade para a sua formação continuada.







Comentários