Experiências dos Centros de Formação Indígenas são discutidas em Oficina de Trabalho

Representantes indígenas e indigenistas estiveram reunidos em Brasília

Para analisar as experiências dos Centros de Formação Indígena, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) realizou a Oficina de trabalho “Centros e experiências de formação indígena em gestão territorial e ambiental na Amazônia brasileira”, nos dias 13 e 14 de abril. A oficina tratou das experiências existentes em gestão territorial e ambiental e os espaços que vem sido destinados para elas: os centros indígenas de formação.

Nos dois dias de oficina, foi validado o documento elaborado pelo consultor Paul Little, no qual ele analisou 15 experiências ocorridas na Amazônia. “Pudemos identificar os gargalos, as demandas e as conquistas para tentar influenciar o Plano Integrado de Gestão da PNGATI”, disse Andréia Bavaresco, do IEB.

“O objetivo da oficina foi valorizar e fortalecer os centros de experiências que já existem e seus produtos”, explicou Cloude Correia, Coordenador do Programa Povos Indígenas do IEB. As experiências serviram de base para a elaboração de parte da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Além disso, elas viabilizam a implementação dessa política.

O coordenador ainda complementa que as experiências realizadas “são riquíssimas, pois são desenvolvidas com certa dificuldade, principalmente em termos de apoio financeiro e técnico”. Buscando esse suporte, a oficina de trabalho produziu um relatório que possibilite a inserção do tema no Plano Integrado de Implementação da PNGATI e no Plano Plurianual do Governo Federal. 

De acordo com Vera Olinda, técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai), esses centros de formação foram resultado da necessidade de sistematizar e formalizar a formação dos indígenas. “É preciso dar certa institucionalidade ao que esses agentes agroflorestais e professores indígenas estão fazendo em suas terras. No caso do Acre, por exemplo, o agente agroflorestal indígena coordena a gestão territorial e ambiental nas terras indígenas e a formação dele é específica para isso”, explicou.

Os centros de formação mostram uma realidade mais próxima do que acontece nas aldeias indígenas, visto que reúnem “os povos em diferentes situações territoriais, culturais e principalmente econômicas”, afirmou Mário Nicácio, Coordenador Geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e membro do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS).

Criado em 1996, o CIFCRSS hoje é uma instituição de ensino médio agropecuário e contribui para a educação nos níveis técnico, de gestão ambiental e para a formação de lideranças indígenas dos jovens da Comunidade do Barro, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. “A oficina de trabalho direciona para a implementação dessa formação por parte do Estado, já que é dever dele atender às necessidades de educação”, finalizou Mário. 







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