Formar Florestal certifica turma 2014

Curso abordou diferentes aspectos do manejo florestal comunitário e familiar

“Ela disse para eu não desistir e continuar estudando”, relembra Marcelane da Silva acerca do incentivo dito ao pé do ouvido pela facilitadora e coordenadora acadêmica do curso Formar Florestal, Roberta Coelho. As poucas palavras levaram lágrimas aos olhos da liderança comunitária de Comandante Teixeira, em Itaituba (PA). Além de Marcelane, outros (as) 18 educandos (as) de sete municípios das rodovias BR 163 e Transamazônica também estavam visivelmente emocionados durante a cerimônia de certificação, realizada no dia 26 de novembro, em Brasília (DF). O evento marcou o fim de uma jornada formativa iniciada em abril que envolveu diálogos em sala de aula, visitas técnicas dentre outras atividades voltadas para o tema do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (MFCF).  

Virtudes e vivências

A cerimônia foi um momento de resgatar virtudes do curso. Uma delas foi ir além dos perfis e ritos acadêmicos tradicionais. “Fiquei emocionada por ter sido escolhida para o Formar Florestal, mesmo não tendo ensino fundamental”, explica Marcelane a respeito do choro na cerimônia. Em setembro a integrante do Sindicato dos Trabalhadores Trabalhadoras Rurais demonstrou que mesmo privada de educação formal sabe se posicionar sobre a realidade do seu município. “Os grandes projetos em Itaituba [ex.: construção de portos] trouxeram violência e prostituição para nossas comunidades. Não queremos isso!”, denunciou a educanda para os ouvintes da Rádio Rural de Santarém, durante o módulo de Comunicação Popular.

A face crítica de Marcelane sobre o lugar onde mora reforça a filosofia do curso. “Nosso princípio é: todo conhecimento é válido”, lembrou Roberta, representante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (Ifpa) – Campus Castanhal, uma das instituições realizadoras do Formar Florestal, que teve apoio do Fundo Vale e Mac Foundation.  

O repertório acumulado de cada educando (a) proporcionou uma interação de conhecimentos com os 15 facilitadores dos cinco módulos do curso. Baseado na alternância pedagógica, como prática efetiva para a troca de saberes, o curso abordou aspectos técnicos, organizacionais, políticos e culturais do Manejo Florestal Comunitário.  “A formação é direcionado para filhos (as) de populações rurais [e extrativistas]. Aprendemos muito com eles (as). Institucionalmente é a realização de um sonho”, destaca Manuel Amaral, coordenador do escritório Belém do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) - que também está à frente da iniciativa.

Manejo Comunitário

Os oito meses de curso ajudaram os jovens a entender o lado humano do MFCF.  “A maioria dos centros de educação ensina o povo a ganhar dinheiro e a pensar em seu umbigo. Mas a formação de vocês vai leva-los a trabalhar com a comunidade” disse aos educandos Maria Margarida Ribeiro, liderança comunitária da Reserva Extrativista Verde Para Sempre, em Porto de Moz (PA). “O conhecimento de vocês ajuda a produzir, mantém a floresta em pé e favorece a continuação do ciclo de ‘vida’ das comunidades”, lembrou Ribeiro.

As políticas públicas também foram assunto entre os educandos (as). Todos eles (as) são originários de assentamentos de reforma agrária e unidades de conservação. Nessas áreas públicas, no estado do Pará, o desmatamento aumentou mais de 270 quilômetros quadrados em relação ao ano de 2013, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Em Brasília, no quinto módulo do curso, o grupo refletiu sobre o fortalecimento da agenda florestal na Amazônia.  “No governo são poucas as instituições que se interessam verdadeiramente pela agricultura familiar ou Manejo Florestal. As coisas [políticas] só saem à base da pressão. Precisamos nos organizar, pois nada cai do céu”, comenta sobre o aprendizado, o diretor da Casa Familiar Rural de Rurópolis, Welyton Bressan.

Continua ...

Com 24 anos e pai de uma filha recém-nascida, Bressan pensa longe.  Ele e outros colegas de curso pretendem organizar um Fórum Jovem na região da BR 163. “Um dos objetivos é incluir os mais novos no movimento social para que futuramente substituam os velhos guerreiros”, explica o propósito. Marcelane, com 37 anos, cinco filhos e avó, continua sua militância no sindicato: faz de tudo um pouco. “O Formar Florestal deu instrumentos para melhorar meu trabalho. Agora vou para outro curso, de informática, em busca de mais conhecimento”, conta após receber sua certificação.

A trajetória dos dois educandos se assemelha com a dos outros 17 concluintes que tiveram seus anseios expressos pela oradora da turma, Edinéia Fernandes, moradora do distrito de Bela Vista do Caracol, Itaituba (PA). “Não é o fim da estrada. Temos muito a alcançar. Principalmente em nossas comunidades. Esperamos que o que aprendemos cresça e dê muitos frutos para nossa Amazônia”, conclui a educanda do Formar Florestal – Turma 2014.  

Mais 100 candidatos enviaram inscrições para a Turma de 20015 do Formar Florestal. O resultado da seleção será divulgado no dia 15 de dezembro de 2014, em nosso site: http://iieb.org.br







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