IEB caminha há 15 anos

Por Maria José Gontijo, diretora executiva e fundadora do IEB.

Equipe IEB 2013

 

O IEB nasceu em 1998. Pequeno, com apenas dois funcionários, mas com uma grande rede de parceiros, colaboradores, beneficiários e doadores, estabelecida pelo programa de bolsas de estudos que operávamos na época. Quinze anos depois, são 38 pessoas, um escritório em Brasília, outro em Belém, e mais cinco pequenas sedes espalhadas pelos municípios de Humaitá, Manicoré, Lábrea, Boca do Acre, e São Felix do Xingu, na Amazônia.

Olhando pelo retrovisor, foram anos vividos com intensidade, sonhos, dificuldades e muitas realizações. O IEB sempre foi bom em juntar gente, dialogar, gerar parcerias. E esse jeito de ser se cristalizou como vocação. Vocação amazônica.

Nosso forte é  colaborar para mover pessoas e instituições em direção a novas atitudes e conhecimentos e reunir gente das mais diversas origens e campos de atuação, disposta a encarar múltiplos desafios.

Sabemos qual é o nosso papel. Preparar a sociedade civil para interagir com o poder público e o setor privado em busca da sustentabilidade. Organizações da sociedade civil, governos e setor privado juntos em espaços de discussão, reflexão e negociação podem transformar o destino de muitas regiões, podem garantir a sobrevivência cultural e econômica de comunidades tradicionais, mantendo o equilíbrio entre ocupação humana e conservação ambiental.

Nossa equipe está com “os pés atolados no chão amazônico”. Não basta treinar, capacitar as comunidades e depois ir embora. É preciso estar lá, acessível. Trabalhamos para dar voz a pessoas que vão fazer a diferença junto ao Estado e às demais instituições. Cada uma avançando em seu próprio combate, sendo um vetor de mudança.

A presença no chão nos fortaleceu, embora às vezes sejamos poucos para dar conta das agendas nesses territórios tão grandes e carentes. Por essa razão, nossa atuação tem que ser focada e articulada com políticas públicas locais, estaduais e federais, além das parcerias estratégicas. A equipe do IEB – a de Brasília e a da Amazônia – me surpreende todos os dias, demonstrando grande maturidade para interagir, encarar os problemas e resolvê-los.

A consolidação do nosso trabalho em campo é um caminho sem volta. Esta é a marca de um IEB que mudou. Em 2011, começamos a sistematizar nossas ações e projetos em programas. Já não somos mais uma organização de cursos e bolsas, mas o que fomos nos deixou a herança de gente que participou da construção desses quinze anos e continua próxima, como essas “famílias” que acabamos fazendo no mundo, por afinidade. Ribeirinhos, índios, gestores públicos, entidades parceiras, ex-bolsistas, ex-cursistas, ex-consultores, doadores, todos formam conosco uma grande rede de articulação socioambiental da qual somos apenas um ponto de apoio.

Nossa meta sempre foi a construção de uma sociedade mais justa e orientada por valores humanos. É um caminho longo que, para ser consistente, tem que ser trilhado  coletivamente. Por mais difícil e desafiante que seja, temos a certeza de que é assim que o IEB vai continuar crescendo: um entre muitos, juntos e solidários.







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