IEB capacita lideranças em manejo florestal comunitário

Curso aconteceu em Santarém e reuniu lideranças da BR163 e Transamazônica

Na manhã de quinta-feira, 24 de abril, a Comissão Estadual de Floresta (Comef) realizava sua primeira reunião ordinária, no Centro Integrado de Governo, em Belém. Na pauta, o Fundo de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará e seus três milhões de reais, obtidos com concessões de florestas. Há mais de mil e trezentos quilômetros da capital, na Vila de Alter do Chão, em Santarém, um grupo de jovens e adultos, moradores de municípios das rodovias BR 163 e Transamazônica, aprendia, dentro outros temas, os conceitos de governança, manejo e certificação florestal. Era o primeiro dia de um curso que se propõe a fortalecer aqueles que historicamente estão à margem da riqueza gerada pela verde amazônico. 

Potencial e desafios

O curso Formar Florestal, realizado entre os dias 24 e 27 de abril, iniciou com 23 alunos, representando territórios com áreas de floresta em pé equivalentes a mais de 90 mil quilômetros quadrados – a maioria sob o domínio de comunidades. Na mesa de abertura o coordenador regional do IEB, Manuel Amaral, lembrou o propósito da formação realizada em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA - Campus Castanhal) e o apoio do Fundo Vale. “Nosso compromisso é fazer do Manejo Florestal Comunitário Familiar (MFCF) uma disciplina que discuta o tema a partir dos problemas que vocês vivenciam nas comunidades”, disse Manuel aos alunos e a mesa de abertura com representantes nove instituições. 

A vivência veio à tona ao longo do curso, com dinâmicas que incentivaram os alunos a contarem suas realidades. “Em nossa região o foco é a agricultura e a pecuária. Mas o escoamento da produção é precário. As vicinais estão abandonadas e a assistência técnica deixa a desejar”, conta o coordenador da Casa Familiar de Rurópolis, Welyto Bressan, que embora não esteja familiarizada com o MFCF, convive com os desafios da degradação florestal, motivada pela falta de oportunidade de realizar uma produção mais sustentável.

Cercado pela Floresta Nacional (Flona) de Itaituba I e da Floresta Nacional do Trairão, Bressan, conta uma das lições do curso: “Da forma como funciona o sistema [mercado florestal], não é fácil para o pequeno agricultor conseguir algo, é preciso se unir para avançar”, relata após um dia de discussão sobre governança florestal. 

Semente lançada 

Jaime Martins milita no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores Rurais de Santarém. Ele é o mais experiente do grupo. Com 44 anos de idade, ele conhece os diferentes lados que envolvem o manejo, tendo passado por secretarias produção, empresas de assistência técnica do governo e do setor privado. Jaime é otimista e acredita que o uso sustentável das florestas é possível. “O que as comunidades precisam é orientação, alguém que acompanhe seus processos de manejo até um patamar em que elas consigam seguir com as próprias pernas”, explica.  “O Formar Florestal nos permite ver as dificuldades do setor e nos dá condição de repassar uma visão de futuro às pessoas, para que seus netos, bisnetos possam desfrutar de suas propriedades [florestas]“.

Segundo a Lei 6.963/07, 40% do Fundo de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará serão aplicados em projetos com linhas de fomento e 30% serão repassados para os municípios que estão no entorno das áreas de concessão. Dar condições para que as comunidades acessem politicas públicas como esta, é um dos focos do Formar Florestal. As sementes para alcançar esse objetivo já foram lançadas. O próximo módulo do Formar Florestal acontece no município de Belterra, na sede da Cooperativa Mista Flona do Tapajós (Coomflona), entre os dias 05 e 11 de junho. 

Relatos 

Um dos temas abordados no curso foi a comunicação. Além de lições sobre o funcionamento da grande mídia o grupo foi incentivado a criar seus conteúdos, por meio de fotos, vídeos e textos. Abaixo, leia o que os alunos entenderam sobre os temas debatidos nos quatro dias de formação. Os relatos estão no boletim produzido durante a primeira etapa do Formar Florestal – acesse no canto esquerdo superior dessa página. 

O PODER DA COMUNIAÇÃO

A partir do diálogo sobre a comunicação passamos a entender a importância do tema para a nossa comunidade, da necessidade de estabelecer uma melhor comunicação entre os membros e as diferentes organizações presentes, socializando as experiências que cada um possui na área da produção e da formação, visando superar as principais dificuldades enfrentadas pela comunidade. Entendemos que se não nos comunicarmos melhor, isso leva ao enfraquecimento da comunidade, tornando-a frágil e sem poder de negociação e representação. 

 

REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA: UMA QUESTÃO DE DIREITO

A regularização de nossas terras nos proporciona outros direitos, como créditos, habitação, assistência técnica e infraestrutura. Por outro lado, nos garante o pertencimento ao território e a valorização de nossas identidades, sociais e culturais, como populações tradicionais.

 

DESAFIOS DA GESTÃO AMBIENTAL

O diálogo sobre a gestão ambiental permitiu compreender o cenário nacional sobre o conceito de degradação, e por consequência o desmatamento. Este é entendido como sendo a retirada total da floresta para serem transformadas em pastagens ou mesmo o plantio da soja no Brasil. Compreendemos ainda que o arco do desmatamento sofreu mudanças, se dirigindo para outras regiões, devido ao fato de não ter madeiras para serem exploradas, partindo para a região Oeste do Pará, que ainda possui grandes áreas de florestas intactas. Diante do cenário atual é necessário fazer uso da conservação e uso dos recursos naturais e da preservação da natureza pensando na sobrevivência das futuras gerações.

 

TEMAS E EQUIPE DO FORMAR FLORESTAL – PRIMEIRO MÓDULO

Comunicação: Rogério Almeida (jornalista), Sávio Tarso (Envolverde).

MFCF e Governança Florestal: Manuel Amaral (IEB)

Regularização Fundiária: Regina Oliveira (Museu Paraense Emílio Goeldi)

Gestão Ambiental e Monitoramento da Paisagem: Heron Davi (Imazon) 







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