IEB inicia atividades do Programa Liderar

Por meio do Programa Liderar, o IEB visa contribuir para a formação e o desenvolvimento de lideranças da Amazônia.

O Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB lançou em fevereiro deste ano o Programa LIDERAR, voltado ao Desenvolvimento de Lideranças, como um reconhecimento do papel transformador dos grupos sociais organizados e de suas lideranças políticas legítimas.

Para o IEB, o desenvolvimento de lideranças é condição necessária para induzir transformações positivas no padrão de relação entre sociedade e natureza. No contexto da Amazônia brasileira, marcado por toda sorte de conflitos sociais, ambientais e territoriais, as organizações locais e suas lideranças são agentes de mudanças e promotores de soluções alternativas às tendências de degradação ambiental e social. Elas contribuem para a defesa da integridade do patrimônio natural da região, para o ordenamento territorial, para a efetividade das políticas públicas e para a inclusão de parcelas historicamente marginalizadas da população.

Por meio do Programa LIDERAR, o IEB visa contribuir para a formação e o desenvolvimento de lideranças da Amazônia, assumindo que há nesse campo uma enorme carência de processos formativos sistemáticos e contínuos. Evitando a aplicação de pacotes de capacitação fechados, o programa visa proporcionar aos participantes uma oportunidade de formação continuada, adaptada e orientada para situar o trabalho das lideranças em outro patamar de qualificação.

O Programa busca favorecer o desenvolvimento de lideranças da sociedade civil da Amazônia como um elo fundamental para a defesa dos direitos sociais, ambientais e territoriais dos povos e comunidades tradicionais da região.

O Liderar está voltado a lideranças representativas dos povos e comunidades tradicionais nos estados do Amazonas e Pará: municípios de Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Humaitá, Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã, no Amazonas e, no Pará, os municípios de São Félix do Xingu, Barcarena e área de abrangência da BR-163, municípios de Santarém, Anapu, Juruti, Novo Progresso e Itaituba.

No dia 4 de abril, no escritório sede do IEB, em Brasília, o comitê de seleção se reuniu para escolher os 15 participantes do Programa Liderar – Desenvolvimento de Lideranças na Amazônia. O programa recebeu a inscrição de 105 lideranças dos municípios de Apuí, Boca do Acre, Canutama, Lábrea, Manicoré e Pauini, no sul do Amazonas, e Anapu, Barcarena, Itaituba, Juruti e São Felix do Xingu, no Pará.

 

Apresentamos o perfil dos participantes do Programa Liderar em ordem alfabética:


Antônio Carlos Nunes do Nascimento vive na comunidade Setor 3 estados, no município de Apuí. É secretário geral da Cooperativa Extrativista Florestal Familiar de Apuí. Para Antônio, o Programa Liderar vai ajudar “com as capacitações poderei atuar com maior eficiência nas ações da cooperativa e na motivação de seus membros. A bolsa dará condições para me dedicar exclusivamente a esses desafios”.

Antônio Matias de Souza é indígena e vive na Aldeia Boa Vista, Terra Indígena Caititu, no município de Lábrea. É Coordenador Regional da Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP). Segundo ele, o Programa Liderar vai ajudar “a ter ferramentas que ajudem no diálogo, na condução de reuniões e fortalecer as articulações locais no município de Lábrea. Gostaria muito de poder repassar essas articulações para as comunidades e poder apresentar propostas que consigam auxílio para estar presentes nessas comunidades articulando, conduzindo reuniões e formando novas lideranças também”.

Francisco Leandro do Nascimento Araújo vive na comunidade Grupo Havana-sede, no município de Canutama. É presidente da Associação dos Produtores Agroextrativistas de Canutama (ASPAC). Segundo Francisco, o Programa Liderar vai ajudar “ensinando novas metodologias para serem aplicadas dentro da nossa comunidade, levando informações e conhecimento para melhorar nosso dia a dia dentro da comunidade em prol de um objetivo coletivo”.

Francisco Monteiro Duarte vive na comunidade Vila Vitória, no município de Lábrea. É presidente da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembléia de Deus do Rio Ituxi (APADRIT). Para Francisco o Programa Liderar vai ajudar a “obter conhecimento para repassar aos comunitários”.

Gleice Coelho de Souza vive na comunidade Vila Muirapinima, no município de Juruti. Para Gleice, o Programa Liderar “poderá ajudar desenvolvendo o conhecimento continuado com a inserção de novas técnicas para atuação de liderança no contexto atual, em uma Amazônia justa e solidária”.

Glecyane Silva dos Santos Apurinã é indígena e vive na comunidade Valparaiso, no município de Boca do Acre. É secretária da Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamandi (OPIAJBAM). Segundo Gleicyane, “o programa Liderar vai me ajudar a entender como funciona uma liderança, vai me qualificar para tomar decisões referentes ao homem e a natureza e planejar atividades para atingir objetivos”.

Manoel de Oliveira Rego vive na comunidade Nossa Senhora de Fátima, no município de Manicoré. É presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas do Lago do Capanã Grande (AMALCG). Para Manoel, “a formação oferecida servirá para receber e levar informações para a comunidade, informações sobre a legislação de Unidades de Conservação, principalmente de Reserva Extrativista. Assim como conhecimento do trabalho desenvolvido que poder ser melhorado na Resex”.

Maria Lindalva Melo dos Santos vive na comunidade Arienga Estrada, no município de Barcarena. É vice-coordenadora da Associação das Mulheres do Campo e da Cidade de Barcarena. Para Maria, o Programa Liderar é uma oportunidade de “aprimorar conhecimentos que qualifiquem minha capacidade de intervir frente às conjunturas sociopolíticas e econômicas no sentido de continuar atuando coletivamente na comunidade e na sociedade civil defendendo sempre os direitos coletivos na Amazônia e no Brasil”.

Maria Madalena Andrade de Oliveira vive na comunidade Nova Olinda, no município de Itaituba. É vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Itaituba. Segundo Maria, o Programa Liderar pode contribuir “trazendo conhecimento dos direitos socioambientais e das comunidades que estão sendo atingidas pelos grandes projetos que estão chegando em nosso município”.

Noel Humberto Dias Gomes vive na Comunidade do Bosque, no município de Boca do Acre. É conselheiro da Associação Bom Jesus, Resex Arapixi. Para Noel, “com esse programa de formação de lideranças se tornará mais fácil alcançar a união da comunidade, conquistar a confiança, traçar metas, perseverar os objetivos, caminhar no rumo certo, com a certeza que aquele grupo de homens e mulheres estão juntos para enfrentar os problemas que vão surgindo e com essa união e essa boa liderança coletiva, pensando como um só, façam valer a pena”.

Raimundo Freire dos Santos vive na comunidade Remansinho, no município de São Felix do Xingu. É presidente da Associação Cacuxi. Segundo Raimundo, o Programa vai ajudar “a ter maior conhecimento para melhorar o poder de convencimento dos outros participantes da comunidade, para fortalecer a organização social e a luta para a melhoria de vida”.

Rivelino Claro de Carvalho vive na comunidade Boa Esperança, no município de Manicoré. É vice-presidente da Central das Associações Agroextrativistas de Democracia (CAAD) e secretário da AMABES. Para Rivelino, “só de poder participar desse programa já é muita coisa e pra mim é mais um conhecimento que com certeza será novo”.

Rosely Alves Dias vive na Colônia Linhares de Paiva, Setor Xadazinho, no município de São Felix do Xingu. É presidente da Associação das Famílias da Casa Familiar Rural de São Felix do Xingu. Para Rosely, o Programa Liderar pode ajudar “com conhecimento, o qual facilitará a formação de discurso de convencimento, com a formação conhecer os direitos quanto a questão social, ter facilidade no entendimento e determinação”.

Virgílio dos Santos Silva vive no município de Anapú. É voluntário comunitário da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Segundo Virgílio, “esse programa poderá me ajudar a saber um pouco mais sobre as leis, como me comportar diante de desafios existentes em cada comunidade, pois meu objetivo é ajudar outras comunidades existentes na região de Anapú e demais lugares a se organizar”.

Wallace Justino de Araújo Silva Apurinã é indígena e vive na Aldeia Jagunço II, Terra Indígena Peneri Tacaquiri, no município de Pauiní. É líder da Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi (OPIAJ) e da FOCIMP. Para Wallace, o Programa Liderar vai ajudar “proporcionando informações técnicas qualificadas, que permitam introduzir no espaço em que vivemos hoje. Partindo deste princípio, vai facilitar para disseminar esse conhecimento dentro das Aldeias, seja na elaboração de um plano de uso dos recursos existentes nas TIs, projetos, e a conscientização de um novo modelo de organização, visando a unificação e o fortalecimento do movimento indígena. Também vem enriquecer o conhecimento na formação política e técnica, dando ênfase na participação do movimento indígena nas discussões políticas voltadas aos povos indígenas”.

 







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