IEB inicia programa de formação de lideranças no Amapá

Primeiro encontro formativo reuniu participantes de onze municípios do estado

De 04 a 08 de maio, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), com apoio do Fundo Vale, realizou em Macapá (AP) o primeiro encontro do programa “FormAção”, que discutiu o tema “Sujeitos sociais, Sociedade, Estado e mercado”, e ainda debateu questões ligadas à identidade, à ação coletiva, ao papel do Estado e aos projetos de desenvolvimento para a Amazônia. Participaram da capacitação 21 lideranças, provenientes dos municípios: Vitória do Jarí, Mazagão, Serra do Navio, Porto Grande, Pedra Branca, Santana, Macapá, Cutias, Itaubal, Tartarugalzinho, Calçoene.

Cenário 

“Com o crescimento do plantio de soja, aumentaram os conflitos agrários, as áreas desmatadas e inclusive as doenças. Devido ao uso de agrotóxicos é comum ver casos de câncer ou abortos na comunidade onde vivemos”, afirma Dorama Carvalho, educanda do “FormAção”.

Proveniente do Assentamento Corre Água, Dorama começou a compreender na juventude os problemas socioambientais do Amapá, ao atuar na Federação de Mulheres do Estado (Femea) e no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Amapá (STTR). Hoje, como presidente da Associação de Moradores do assentamento onde vive, a luta da líder comunitária tem um propósito bem determinado: “Luto pela agricultura familiar, pela mudança na demarcação de terras e por condições de vida mais digna para a minha comunidade”, explica Dorama . 

Ruth Correa, coordenadora de projetos do IEB, relata que o FormAção busca auxiliar as lideranças em suas lutas por mudanças. “O programa visa fortalecer os sujeitos políticos nas suas ações. Por isso, é necessário debater e compreender a realidade socioambiental do estado e o papel da sociedade civil, no sentido de aumentar sua capacidade de diálogo e incidência sobre as políticas públicas”, afirma Correa.

Primeiro encontro 

 Nesta edição do programa formativo, o contexto do Amapá foi refletido a partir dos sujeitos sociais. Segundo o educador Ângelo Carvalho, as temáticas foram escolhidas para que os comunitários compreendam sua importância no processo. “O debate foi relevante porque as lideranças precisam se reconhecer como peças chave para a ação coletiva. Mas, para que essa ação ocorra é necessária a compreensão do processo de formação, de organização do espaço e da identidade do território, bem como das relações de poder”.

O evento contou com o comprometimento de educandos que não mediram esforços para estarem no encontro. Alguns percorreram até 12 horas de barco com um único objetivo: capacitar-se. O presidente da Associação da Comunidade Igarapé dos Porcos (Macapá Rural), José Trindade, comenta sobre a necessidade de formação no estado. “Precisamos nos qualificar mais para que a gente não pereça devido a falta de conhecimento”, declarou. Trindade apontou ainda as contribuições da primeira etapa do “FormAção”. “Durante os debates percebemos que as nossas comunidades estavam muito distantes umas das outras. Agora entendemos que só poderemos lutar pelos nossos direitos se estivermos articulados e fizermos isso juntos”, declara.

O programa “FormAção” adota a metodologia da alternância pedagógica, sendo dividido em tempo escola e tempo comunidade. Após o primeiro encontro formativo, quando retornarem para os seus territórios, os (as) educandos (as) irão desenvolver duas atividades. Uma delas é a escuta local, voltada para a caracterização das realidades socioambientais de onde vivem. A outra é a organização de uma oficina territorial, com o objetivo de articular as lideranças e identificar pautas comuns ao debate socioambiental.  O tempo comunidade se estenderá por dois meses, até o segundo encontro formativo previsto para acontecer de 19 a 23 de agosto, com o tema “Políticas Públicas, Democracia, Participação e Controle Social”. 







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