IEB realiza oficina inaugural do Projeto Formar PNGATI

Participantes contribuem na construção do curso básico para a região de Rondônia

 

O primeiro passo na caminhada do Projeto Formar PNGATI – Formação para implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia foi dado. A oficina inaugural, realizada nos dias 11 e 12 de abril no Centro de Formação Paiter Suruí, no município de Cacoal, Rondônia, contou com a participação de 26 gestores indígenas e não-indígenas. Os participantes tiveram a oportunidade de contribuir com a proposta do curso básico de formação para implementação da PNGATI.

“O IEB vem desde 2009 acompanhando o processo de construção da PNGATI e contribuindo na medida do possível,” disse Cloude Correia, coordenador do projeto. O projeto é uma iniciativa do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Agência de Cooperação Internacional Alemã (GIZ), Projeto de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (GATI) e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), além de organizações indígenas locais, financiado pela Fundação Moore.

A Funai tem a meta estabelecida no Plano Plurianual 2012-2015 de formar 300 gestores indígenas e 300 gestores não-indígenas no programa de formação continuada para implementação da PNGATI. “Para cumprir essa meta começamos o processo em 2011 de pensar como poderia ser o curso básico, os conteúdos, a duração e os participantes,” explicou Graziela Almeida, coordenadora de Políticas Ambientais da Coordenação-Geral de Gestão Ambiental (CGGAM), da Funai. Segundo ela, a intenção é implementar o curso na Amazônia com o apoio do IEB, na Mata Atlântica apoiado pelo ICMBio, no Cerrado e na Caatinga pela Funai.

A meta do Projeto Formar PNGATI é capacitar 120 gestores indígenas e não-indígenas na Amazônia. O IEB vai trabalhar em quatro regiões: Rondônia, sul do Amazonas, norte do Pará e Roraima. O curso básico vai ser adequado para cada região e vai contar com um intercâmbio. “Quando o IEB elaborou o projeto também conseguiu acrescentar outras atividades, como os intercâmbios, que estariam enriquecendo esse processo de qualificação,” disse Cloude Correia.

Os participantes dos municípios de Cacoal, Ji-Paraná e Guarajá-Mirim opinaram sobre os temas dos módulos, possíveis instrutores, materiais e dinâmicas para estruturar o curso básico. No primeiro dia, eles fizeram o exercício de montar uma tabela para sugerir o formato do curso. “Nós vamos construir juntos, esse é um espaço de troca constante e de discussão,” disse Andréia Bavaresco, coordenadora pedagógica.

No dia seguinte, os participantes discutiram o perfil do público do curso, os critérios de seleção, número e duração dos módulos e o cronograma do curso. Com a discussão encerrada e os critérios definidos, o debate seguiu em torno da rede de parcerias. “A ideia é integrar os parceiros e convidar outras instituições que podem contribuir no processo,” explicou Henyo Barretto, diretor acadêmico do IEB.

As organizações presentes: CGGAM da Funai de Brasília, Coordenação Regional da Funai de Cacoal, Ji-Paraná e Guajará-Mirim, Coordenação Regional do ICMBio de Porto Velho, Universidade Federal de Rondônia (UNIR) campus Cacoal, Projeto Pacto das Águas, Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), Associação do Povo Indígena Zoró (APIZ), Organização Padereéhj, Associação Doá Txató, Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé) e Projeto GATI se dispuseram a participar e colaborar na rede de parceiros regionais do projeto.

“Esperamos agora que realmente possamos ter o curso durante esse período de um ano, que a gente consiga alcançar os nossos anseios para no futuro, de fato, conseguirmos implementar a PNGATI,” disse André Evangelista Barroso Puruburá, indígena e chefe da coordenação técnica da Funai de Guajará-mirim.

“É um fato histórico para a população indígena do Brasil se reunir com a equipe técnica da Funai e as Organizações Não-Governamentais (ONGs) parceiras para fazer essa oficina que é uma maneira de dar início na implementação da PNGATI,” afirmou Arildo Gapame Suruí, coordenador substituto da Associação Metareilá.

A oficina em Cacoal é a primeira de mais três que serão realizadas na Amazônia. “Nós vamos levar essa oficina como exemplo para as próximas,” disse Henyo Barretto. “Espero que os passos que programamos venham para criar uma rede de pessoas e instituições para uma implementação concreta da PNGATI,” finalizou Arildo Gapame Suruí.







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