Intercâmbio revela experiências de sucesso ao longo do sul do Amazonas

A experiência de associativismo na (RDS) do Rio Madeira, a subvenção da borracha no município de Lábrea e a experiência do Instituto Piagaçu-Purus no manejo sustentável de recursos naturais fecharam os debates do primeiro dia do III Encontro Regional do F

A experiência de associativismo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Madeira, a subvenção da borracha no município de Lábrea e a experiência do Instituto Piagaçu-Purus no manejo sustentável de recursos naturais fecharam os debates do primeiro dia do III Encontro Regional do Fortis.

Lábrea chegou a ser um dos principais produtores de borracha do Estado do Amazonas, e chegou a produzir mais de 2 mil toneladas/ano. Contava com uma usina de beneficiamento para a produção do Granulado Escuro Brasileiro/GEB, que movimentava a economia da cidade e gerava mais de 400 empregos, sendo 150 diretos e 250 indiretos. Foi com a queda dos preços do produto no mercado, no final dos anos 1980 e início dos 1990, que a atividade foi quase abandonada e os seringais desativados. A situação obrigou, então, os comunitários a buscar outras fontes de renda. Uma das alternativas foi a agricultura e a pesca. Outros migraram para a cidade em busca de melhores condições de vida. Passada mais de uma década, com a reativação do mercado da borracha e a implementação de políticas públicas, o quilograma do produto passou de R$0,60 para quase R$ 5,00. Essa luta foi contada pelo técnico da Agência Estadual de Desenvolvimento Sustentável (ADS), Raimundo Nonato Mesquita de Melo, que disse aos atentos ouvintes que o preço justo pelo serviço só foi alcançado depois de muito esforço e da compreensão que unidos em associação ou via cooperativismo, os extrativistas são muito mais fortes.

Outro caso de sucesso apresentado no encontro foi o da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Madeira (Apramad). Hoje com 570 sócios, a Associação fundada em 04/07/2009, atende 44 comunidades e 850 famílias. Para chegar ao resultado pretendido de fazer da associação uma fonte de geração e renda, a Apramad enfrentou muitas dificuldades. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do rio Madeira abrange os municípios de Manicoré, Novo Aripuanã e Borba. Foi criada no ano de 2006, porque existia uma forte pressão de madeireiros desmatando a área, além da venda de terras para estrangeiros. A reserva de 283 mil hectares teve boa aceitação pelas comunidades. Porém, para conseguir fazer da floresta uma fonte alternativa de renda, foi preciso unir todos os esforços de organizações comunitárias para chegar até a formação da Apramad. Os passos iniciais contaram com a capacitação do IEB, que acompanhou passo a passo a criação, desde o estudo inicial do estatuto até a elaboração dos primeiros projetos. “Quando começamos, veio o IEB e disse que estava tudo errado. Daí começou a dar capacitação para a formação inicial de como formar uma associação”, destacou o segundo tesoureiro da Apramad, Marcos Paulo Lima Barros, o Marquinhos. Por meio do projeto Fortis, foi possível a capacitação em associativismo e controle financeiro. E, depois de fundada, foram ministrados cursos de gestão de associações e elaboração de projetos. “Se não tivesse o IEB, até teríamos fundado a Apramad. Mas no nível de organização que nos encontrávamos, hoje a associação estaria afundada”, brincou o associado.

Localizada no chamado Baixo Purus, a RDS Piagaçu Purus foi criada em setembro de 2003. Somando à Reserva Biológica (Rebio) e às duas Terras Indígenas localizadas dentro da RDS, são 1 milhão e 800 mil hectares de área, o equivalente a 15 mil campos de futebol oficial. O desafio da região é proporcionar a melhoria da qualidade de vida humana com a troca de experiências e a manutenção da biodiversidade. Em Piagaçu, 85% da dieta da população é de peixe. Tem pesca de subsistência, comercial ribeirinha comprada pelos regatões e pesca comercial da frota pesqueira, além de peixes ornamentais para aquário (atualmente o manejo deles passa por um projeto piloto). Existem temas extremamente delicados dentro da RDS, conforme apresentou o biólogo do Instituto Piagaçu Purus, Felipe Rossoni. Ele disse que dentro da RDS existe muito peixe-boi e que até os dias de hoje podem acabar virando presa fácil da pesca ilegal. “O assunto é delicado, mas é preciso enfrentar o problema”, apontou. “Após registrar esses eventos, partimos para a educação ambiental e a conscientização das pessoas”, esclareceu o biólogo. Outro fator preocupante dentro da área é a caça tanto para venda como para consumo próprio, além da caça esportiva de patos selvagens, praticada por pessoas ricas que matam apenas por prazer. Dentro das ações de manejo sustentável desenvolvidas pelo Instituto na reserva que leva seu nome, está um inventário ictiológico de 400 espécies já identificadas e o início da identificação de aproximadamente cinco novas qualidades de peixe, o zoneamento e o ordenamento dos diferentes tipos de pesca. A RDS Piagaçu não faz parte do Consórcio Fortis, mas por estar localizada no sul do Estado do Amazonas, foi convidada para apresentar a experiência desenvolvida pelo Instituto Piagaçu Purus aos participantes do evento.







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