Livro destaca a construção da sustentabilidade em São Félix do Xingu

Publicação lançada pelo IEB aborda os desafios do município paraense em sua luta pela governança socioambiental

Caminhando às margens do rio Xingu é impossível não ceder aos encantos do pôr do sol, que lentamente se debruça sobre as águas que dão nome ao município de São Félix. As belezas naturais da região não encantam apenas visitantes, elas são motivo de orgulho para a população local.  Contudo, o que se destacou no final da última década foi o desmate no território. Em 2009 o município apresentava 16,6 mil quilômetros quadrados de área desmatada (cerca de 20% de sua área total), segundo informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os números fizeram com que o Governo Federal incluísse São Félix do Xingu na lista de municípios amazônicos prioritários para ações de prevenção, monitoramento e controle do desmatamento ilegal.

Neste contexto, o IEB iniciou sua incidência sobre os problemas da região, por meio do projeto Xingu Ambiente Sustentável (XAS), apoiado pelo Fundo Vale, com o objetivo de contribuir no fortalecimento de processos locais para a governança socioambiental. Essa atuação uniu-se a outras diferentes ações desenvolvidas no município, principalmente com aquelas realizadas para reforçar a atuação da agricultura familiar, no combate ao desmatamento na região.

O relato desse processo e os avanços dessa iniciativa são compartilhados no livro “Processos de construção da sustentabilidade em São Félix do Xingu”, já lançado para o público de Altamira, São Félix do Xingu e para o comitê gestor do Programa Municípios Verdes (PMV). A publicação sistematiza as experiências de construção participativa de uma agenda socioambiental para o município, com ênfase na redução do desmatamento. Este é o tema principal da entrevista com Ruth Corrêa, coordenadora de projetos do IEB e uma das autoras do livro. 

Qual foi o trabalho realizado pelo IEB em São Félix do Xingu?

Ruth Corrêa: O IEB atuou para fomentar a constituição de um espaço de diálogo entre sociedade civil e Estado, para promoção da governança socioambiental em São Félix, a partir de uma agenda de sustentabilidade estruturada pelos diferentes atores do município. Em busca desse objetivo, o projeto colaborou para a constituição de dois espaços - o Conselho Gestor da APA Triunfo do Xingu e a Comissão do Pacto. As ações de fortalecimento institucional, capacitações, articulação interinstitucional, que foram desenvolvidas pelo projeto, contribuíram na estruturação de uma agenda de sustentabilidade no município que incorpora ações no campo ambiental, mas também no campo de alternativas produtivas sustentáveis. Neste último aspecto, foi estruturado dois fundos de apoio financeiro às alternativas produtivas sustentáveis, o Fundo Xingu de Saberes e o Fundo Xingu Sustentável, respectivamente, voltado ao público de jovens educandos (as) das Casa Familiar Rural (CFR`s) e de grupos comunitários e organizações da agricultura familiar.

O livro é resultante de que tipo de reflexão?

Ruth Corrêa: O livro é o resultado da análise crítica manifestada por representantes das instituições, organizações locais, lideranças comunitárias e de diferentes atores sociais, que vivenciaram essa experiência em debates públicos sobre a sustentabilidade, associado às discussões sobre a dinâmica do desmatamento e o pacto firmado entre sociedade civil e governo, além da necessidade de consolidação de uma agenda com ações integradas para promoção da sustentabilidade no município.

O livro aborda prioritariamente a construção de uma agenda socioambiental. Como essa agenda contribui para a sustentabilidade?

Ruth Corrêa: A constituição de uma agenda socioambiental, com a participação qualificada da sociedade civil, é considerada indispensável para que haja uma mudança do contexto de São Félix do Xingu. Com o fortalecimento de estruturas organizacionais (organizações comunitárias, órgãos públicos e entidades da iniciativa privada) é possível construir e implementar uma agenda legitima e capaz de garantir a gestão sustentável dos recursos naturais.

 Qual a importância de documentar essas experiências do município de São Félix do Xingu? Como isso pode auxiliar o território?

Ruth Corrêa: A sistematização de experiências, tal como a expressa no livro, serve para inspirar processos em outros territórios com desafios semelhantes, desde que devidamente adaptado a outras realidades. Para o município de São Félix do Xingu, registrar a experiência em uma publicação ajuda a manter viva a memória do esforço coletivo em busca de soluções aos problemas socioambientais vivenciados. Ao mesmo tempo, pode contribuir para a visibilidade dos problemas e desafios que ainda precisam ser enfrentados e de propostas efetivas para implementação de políticas públicas na área socioambiental.

Quais as próximas atuações do IEB em São Félix?

Ruth Corrêa: Está em curso a terceira versão do projeto Xingu Ambiente Sustentável. Nesta edição do projeto haverá uma maior abrangência de atuação no território, com incidência não apenas em São Félix, mas em outros sete municípios da Bacia do Xingu (Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Ourilândia do Norte, Porto de Moz e Tucumã). O intuito do projeto atual é continuar fortalecendo as organizações da sociedade civil para atuar em favor da agenda de combate ao desmatamento na região.  

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