“Nosso modo de vida está ameaçado”, diz extrativista

Presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Joaquim Belo fala sobre a vida do movimento extrativista da Amazônia


Em meados dos anos 80, Chico Mendes e seus companheiros fundaram o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que visava defender os interesses e os direitos dos moradores da floresta amazônica por meio da criação de reservas extrativistas. Quase 30 anos se passaram e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas - novo nome do CNS - continua sendo a principal referência da luta pela preservação do modo de vida do povo da Amazônia.

Seu atual presidente é o extrativista Joaquim Belo, que nasceu em uma comunidade no município de Mazagão, no Amapá, e herdou do pai a vocação para atuar como liderança. Hoje, com 50 anos de idade, e quase 30 atuando como representante do movimento social da Amazônia, ele acredita que a maneira de viver do homem da floresta está diante de muitas ameaças.

Para Joaquim, a luta agora é resistir para mostrar para o resto do Brasil e do mundo como os extrativistas prestam um serviço enorme para proteção do que ainda resta de Floresta Amazônica no Brasil: “O único instrumento que temos para defender nossos territórios é através das nossas organizações. E se não fosse esse movimento, essa nossa resistência, não sei o que seria da Amazônia”.

CartaCapital – Como o modo de vida extrativista vem sendo afetado?

Joaquim Belo - Existe uma política moldada e desenhada para esse modelo moderno que se choca com o nosso. Hoje a gente vive num sistema muito perverso. É um pacote tecnológico colocado para todos nós. A produção se padronizou. Já a nossa batalha na terra é de geração para geração. Foi do meu avô para o meu pai, do meu pai para mim, e daí vai para o meu filho. Hoje essa passagem está em risco porque o nosso ambiente rural e extrativista vem sendo negado o tempo todo. Essa negação gera preconceito, menosprezo, afetando as comunidades, e a classe mais importante, que tem a responsabilidade pelo futuro, que é a juventude. O nosso modo de vida está ameaçado.

CC – Os jovens das comunidades não se interessam mais pela vida na floresta?

JB - Não, porque o sistema não deixa outra opção. A formação está desenhada para o jovem não enxergar a realidade dele como uma coisa importante. Está desenhada pra tirar ele da floresta porque ali ele não vai crescer, não vai ser importante, não vai ter um futuro. Assim é trabalhada a educação e a comunicação. O nosso modo de vida se aprende no dia a dia, na convivência com a floresta. Ninguém vai ensinar um jovem a manejar uma floresta quando ele tiver 20 anos de idade. A cada ano que passa o jovem conhece menos a sua comunidade, quantas espécies florestais existem, quais os peixes da região. Ele já não conhece o remédio do mato que sua família usa para determinada doença.

 

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