O etnomapeamento é uma linguagem comum entre os povos indígenas da Bacia Amazônica

O último dia do Seminário Amazônia Indígena foi dedicado à finalização das discussões sobre gestão territorial e etnomapeamento.

O último dia do Seminário Amazônia Indígena?foi dedicado à finalização das discussões sobre gestão territorial e etnomapeamento. Pela manhã, a apresentação dos resultados dos Grupos de Trabalho, reunidos desde o dia 19 de novembro?mobilizou os participantes em uma grande plenária. Entre os consensos, o uso de etnomapas é uma ferramenta facilitadora entre os conhecimentos dos povos indígenas e o acesso às políticas públicas de estado.
Outro ponto comum bastante aclamado foi que a identificação dos territórios funciona como uma informação ancestral, onde os povos indígenas têm condições de se comunicar com a sociedade local e mostrar às gerações passadas e futuras a diversidade de cada cultura.
Confira o resumo de algumas conclusões da manhã de sexta-feira:
Grupo de Trabalho 1
Temática: Mapear territórios indígenas: porque, por quem e para quem
“O mapa pode ajudar a garantir o conhecimento, a posse e o uso de nosso território. Assim, mapa é uma ferramenta que faz parte de um processo histórico, social e político, ajudando a fortalecer a identidade indígena e a pensar coletivamente sobre a gestão do território. Mapa também é símbolo, para não índios e índios, que precisam saber respeitá-lo. Mapa não é estratégia. Estratégico é o que se faz com ele, pois mapas são componentes de um processo maior. Mapa não tem vida própria, o que é vivo está dentro de nós, que usamos mapas. O ponto central é a visão de gestão (plano de vida). Mapa ajuda a recuperar a dignidade dos povos indígenas e sua memória social e cultural (ex. Yanesha). Resgate de valores: unidade, identidade, pensamento coletivo, autonomia. Mapa é um meio de prever o futuro (Plano de vida), indicando caminhos para cuidar de sítios sagrados, manejar os recursos naturais conforme a natureza permita, e de relacionar-se com os vizinhos indígenas (inclusive para suas formas de organização política) e não-indígenas. Serve para subsidiar políticas públicas e tratar de conflitos, em diferentes escalas (local, regional, nacional e internacional). Mapeamento pode ser feito por etapas, sendo detalhado gradativamente (densidade de informações e área de abrangência), iniciando pelas áreas ancestrais e passando por um mapeamento moral (valores que estão se perdendo).”
Grupo de Trabalho 2
Temática: Políticas Públicas – qual a relação?
“Existe grande diferença no que se refere à existência e ao tipo de arranjo institucional para lidar com a questão indígena, havendo desde situações em que organismos de estado não são funcionais para lidar com isso (ficando a responsabilidade com as organizações indígenas e as da sociedade civil – caso do Perú) até situações em que o planejamento territorial aparece como indicador de capacidade de gestão que faculta a autonomia administrativa das TCOs (caso da Bolívia), passando por situações em que políticas públicas de diferentes níveis (estadual/federal) têm sido formuladas com base em mecanismos de consulta pública (caso do Brasil). Alguns países vêm passando por mudanças significativas em seus marcos regulatórios relativos a ordenamento territorial e ao reconhecimento das autonomias indígenas.”

Acompanhe todas as atividades realizadas no seminário pelo blog: http://amazoniaindigena2010.blogspot.com/







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