Obra cem por cento brasiliense conquista público infanto-juvenil

Evento de lançamento contou com programação gratuita e movimentou café de Brasília

A escritora e bióloga brasiliense Nurit Bensusan lançou no domingo, dia 11/10, a obra Dividir Para Quê? - Biomas do Brasil, no Ernesto Cafés Especiais, em Brasília (DF). O título, voltado para o público de 10 a 14 anos, é o carro-chefe do selo infantil Mil folhas e três joaninhas, recém-criado pela editora brasiliense Mil Folhas, ligada ao Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). A iniciativa tem como proposta incentivar o interesse de crianças e adolescentes por temas socioambientais.

Segundo a autora, o livro tende a suprir a carência de materiais interessantes sobre meio ambiente e ciência voltados para crianças no Brasil. Na ocasião, Nurit Bensusan elogiou a receptividade e o interesse do público durante o lançamento e destacou a importância de uma abordagem lúdica e criativa como atrativos para crianças e adolescentes. Para a bióloga e engenheira florestal, a parceria com a editora pode ser resumida em “cativar corações e mentes para as questões socioambientais”.

"A ideia é vincular o livro e o conteúdo sobre biomas a muitas outras informações culturais interessantes que eu acho, e espero, que possam instigar as crianças. Eu acho que essa é uma boa ideia para lidar com materiais didáticos e paradidáticos. Ou seja, mostrar que existe uma relação entre a conservação da natureza (e a própria natureza) e outros aspectos da cultura. A gente é o que é porque estamos inseridos nessa natureza. A cultura também é fruto dessa natureza e das paisagens onde a gente vive.", comenta Bensusan, mestre em Ecologia e doutora em Educação.

Além das informações específicas sobre a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Pampa, a obra traz, em suas 56 páginas, curiosidades históricas e culturais, como a origem do nome dos biomas, a influência destes na cultura da região e até mesmo os dinossauros que já passaram por cada um desses lugares. Com um texto leve e descontraído, apoiado por ilustrações divertidas e um projeto gráfico diferenciado assinado pelo escritório de design brasiliense Grande Circular, a proposta do livro é ligar elementos culturais com as questões ambientais, como a necessidade da conservação. Dividir Para Quê? - Biomas do Brasil também destaca o grau de desmatamento de cada uma dessas áreas e propõe a reflexão da importância dessa classificação para a gestão sociopolítica, a conservação e, respectivamente, manutenção da vida.

 

Mercado editorial

Na avaliação de Maria José Gontijo, diretora executiva do IEB, ao contrário dos títulos convencionais voltados para o público adulto, o mercado editorial infanto-juvenil está em expansão. No entanto, a abordagem desse tipo de tema ainda é pequena ou desinteressante. A entidade já produziu mais de 80 títulos com a temática socioambiental e lançou em 2014 a editora Mil Folhas. Segundo ela, o lançamento do selo infantil reflete o amadurecimento do trabalho desempenhado pela entidade do terceiro setor ao longo de 17 anos e veio a preencher uma lacuna que ainda existe no mercado editorial nacional.

“Eu acho que esse tema está em aberto. Não há muitas coisas realmente boas no mercado para preencher esse vazio e acho que podemos aproveitar dessa abertura. Nossa abordagem é uma abordagem cultural, social e ambiental, ou seja, trazendo essa diversidade que temos hoje no Brasil para influenciar as crianças.”, comenta Gontijo, que antecipa a possibilidade do lançamento de um livro sobre paisagens naturais ainda para esse ano.

Atraída pelo trabalho de popularização da ciência de Nurit Bensusan, a professora Fernanda Vasconcelos de Almeida acompanhou os filhos Artur e Daniel (de 10 e 6 anos) ao evento e aprovou não só a nova literatura infantil, mas também os jogos “biolúdicos” criados por Nurit.

“Achei incrível a iniciativa e acho que as escolas deveriam adotar livros desse tipo, menos ‘quadradinhos’ e mais criativos. Acho que esse livro vai ser bem interessante justamente por trazer mais curiosidades que os livros didáticos não costumam falar muito”, elogia.

A procuradora federal Mariliane Dornelles concorda. Acompanhada da filha Cecília (8 anos), ela comenta que a iniciativa é fundamental para conscientizar a nova geração, visando adultos mais responsáveis e comprometidos com a sustentabilidade.

“Vou levar esse livro para a escola dela para eles terem conhecimento e até sugerir para que adotem no ensino também”, afirma.

Autora de mais de 15 títulos técnicos sobre Ciência e meio ambiente, Nurit Bensusan passou a investir no público infantil a partir de 2010 com a criação do kit livro + jogo O Mar em Verso. Na sequência, criou a Biolúdica, uma oficina de criação de jogos com temas biológicos, e lançou, em 2011, outro kit: o Biobrazuca e, mais tarde, os jogos de cartas conhecidos como "jogos biolúdicos", que deram origem ao Bioquê?,  Tsunami, Protetores da Existência na Terra (PET) e Meta Morfus. Em 2012, Bensusan lançou o livro-jogo Rio + 20, +21, +22, +23... na abertura da conferência internacional e seguiu com os títulos Quanto Dura Um Rinoceronte? (2012) e Labirintos - Parques Nacionais (2012), conquistando o prêmio o Prêmio MalbaTahan da Fundação Nacional do Livro Infanto-juvenil (FNLIJ), destacando-se também como finalista do prêmio Jabuti, em 2013.

 

Sobre Nurit Bensusan:

Bióloga e engenheira florestal, pós-graduada em História e Filosofia da Ciência pela Universidade Hebraica de Jerusalém, mestre em Ecologia e doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). É autora do blog Nosso Planeta, do jornal O Globo (http://oglobo.globo.com/blogs/nossoplaneta ), uma de suas plataformas de popularização da ciência, e criadora da Biolúdica (http://www.bioludica.com.br), oficina de jogos com temas biológicos voltada para crianças e adolescentes. Participa também do coletivo de ideias Biotrix (http://www.biotrix.com.br ). Possui mais de 15 livros publicados, entre eles  Biodiversidade: é para comer, vestir ou passar no cabelo (IEB);  Meio Ambiente: e eu com isso? (Ed. Peirópolis); Quanto dura um rinoceronte? (Ed. Peirópolis) ;Seria melhor mandar ladrilhar? (Editora Universidade de Brasília e Peirópolis) e A diversidade cabe na unidade: áreas protegidas no Brasil (Ed. Mil Folhas). Seu livro Labirintos: parque nacionais (Ed. Peirópolis) ganhou o Prêmio MalbaTahan da Fundação Nacional do Livro Infanto-juvenil (FNLIJ) e foi finalista do prêmio Jabuti, em 2013. Foi responsável pela área de biodiversidade e coordenadora de políticas públicas do WWF Brasil, coordenadora de biodiversidade no Instituto Socioambiental e coordenadora do núcleo de gestão do conhecimento do Instituto Internacional de Educação do Brasil. Hoje é professora visitante da Universidade de Brasília.

Mais informações:Valor do livro: R$ 45,00

Pontos de vendas: Ernesto Cafés Especiais, livrarias em geral e site da editora Mil Folhas

( http://livraria.iieb.org.br/ )







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