Poder e sustentabilidade

Participantes do curso básico do projeto Formar PNGATI debatem no primeiro módulo em Roraima

 

Às margens do lago Caracaranã, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, teve início o primeiro módulo do Curso Básico de Formação para Implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Entre os dias 2 e 6 de setembro, 25 indígenas e 12 não indígenas tiveram a oportunidade de discutir o tema poder e sustentabilidade.

Os participantes conversaram sobre a história do relacionamento dos povos indígenas com a expansão colonial, e a ocupação da região por não indígenas, e sobre as atividades econômicas impostas aos povos indígenas e aos conhecimentos e práticas tradicionais.

Para Israel Leal, indigenista da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye`kuana, o curso foi de grande valor por conta do encontro entre os gestores públicos e os indígenas: “Essa interação é de profunda importância para que nós, gestores e executores das políticas públicas, tenhamos maior consciência de como direcionar as nossas ações”.

Hudson Ozarias, indígena da etnia Macuxi, que vive na comunidade Barro, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e trabalha como coordenador técnico local da Funai, destaca que “o curso além de dar uma capacitação e orientação, auxilia os índios a buscar projetos e recursos para ajudar as comunidades”.

“Eu achei interessante essa junção entre conhecimento indígena e conhecimento técnico. Vi como as lideranças indígenas enxergam essa forma de gestão e também a orientação dos palestrantes, que têm conhecimento de causa do movimento, das lutas, e dos direitos dos povos indígenas”, afirmou Hudson.

“Essa interação com os indígenas está sendo muito importante para o meu trabalho como gestora da Funai dentro da obrigação da gestão ambiental e territorial das terras indígenas”, explicou Inayê Uliana, chefe substituta do Serviço de Gestão Ambiental e Territorial (Segat) da Funai em Roraima. Para ela, um dos desafios é o orçamento: “É importante investir em pessoas. Uma mudança de política para se investir nas pessoas que fazem a conservação e vivem da natureza”.

 







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