Programa de Formação em Agroextrativismo é iniciado em Humaitá

Notícias sobre o primeiro módulo do Programa de Formação em Agroextrativismo e Cadeias Produtivas Sustentáveis, iniciado no dia 18 de julho, em Humaitá, AM.

Por Maria Emilia Coelho

Como estamos hoje? Como queremos estar no futuro? As duas questões marcaram o início das discussões do primeiro módulo do Programa de Formação em Agroextrativismo e Cadeias Produtivas Sustentáveis, iniciado no dia 18 de julho, no município de Humaitá, Sul do estado do Amazonas.

As cerca de trinta e seis lideranças extrativistas e indígenas dos povos Apurinã, Arara, Gavião, Jiahui, Pirahã, Parintintin, Paumari, Suruí e Tenharim, trocaram suas experiências e desenharam suas realidades e expectativas. A ideia é que até o dia 31 de julho todos construam juntos um caminho para a produção sustentável em suas comunidades.

No primeiro dia do curso foi realizada uma dinâmica de grupo onde os participantes, oriundos de Unidades de Conservação e Terras Indígenas localizadas no sul do Amazonas e sudeste de Rondônia, apresentaram-se e explicaram o motivo pelo qual estavam presentes e interessados.Em seguida, a equipe do IEB apresentou a proposta do programa de formação, que está inserido nas atividades do Projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Públicas na Amazônia (ConsBio), do Programa Sul do Amazonas (SULAM).

No dia 19 pela manhã, a discussão girou em torno sobre o que é desenvolvimento e seus modelos: predatório x sustentável. Foi exibido o documentário “Os escravos do Etanol”, sobre as condições de trabalho dos cortadores de cana de São Paulo, seguido por um debate. Dois gráficos com dados comparativos sobre a produção da Agricultura Familiar e do Agronegócio também foram apresentados.

No período da tarde, a Assistência Técnica de Extensão Rural (ATER) entrou em pauta em uma abordagem sobre o papel dos técnicos e dos agroextrativistas, sobre a importância do diálogo entre os conhecimentos científico e tradicional. Depois, os participantes foram divididos em grupos para contar suas experiências produtivas que não deram certo e por quê.

No dia seguinte, para introduzir o tema da agroecologia e da valorização dos saberes e vocações locais, a ideia foi incentivar os grupos a recordarem as situações produtivas que tiveram sucesso nas suas comunidades. Também foram passados vídeos que contam histórias exitosas de agroextrativistas em outras regiões da Amazônia.

Nos próximos dias acontecerão debates sobre sistemas locais de produção e manejo dos recursos naturais, sazonalidade da produção agroextrativista e economias locais. Uma viagem de intercâmbio entre participantes do curso e comunidades ribeirinhas e indígenas que vivem às margens do rio Madeira também está programada.

O primeiro módulo do programa de formação é focado nos sistemas de produção, o segundo nas boas práticas de manejo de recursos florestais e o terceiro módulo na comercialização e mercado dos produtos agroflorestais. Durante um ano, serão realizados seminários, aulas expositivas, trabalhos em grupo, exposição de fotos e vídeos e intercâmbios de experiências, além de pesquisas de campo feitas pelos participantes entre um módulo e outro.







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