Projeto Embarca Marajó é premiado

O reconhecimento foi feito pela Caixa Econômica Federal

O projeto Embarca Marajó é um dos 20 ganhadores do prêmio Melhores Práticas do Brasil, pela Caixa Econômica Federal. O anúncio foi feito no cerimonial promovido pela instituição no último dia 14 de outubro, em Belém (PA). A iniciativa concorreu com 250 projetos inscritos de todo o Brasil e passou por três seleções até o resultado final.

O Embarca Marajó é realizado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Peabiru e Instituto Vitória Régia (IVR). As ações do IEB no território marajoara tem apoio financeiro do Fundo Socioambiental Caixa e Fundo Vale e conta com a parceria da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam) e do Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó (Codetem).

Melhor prática no Marajó                                                     

“Concorrer a um prêmio conceituado como o “Melhores Práticas”, da Caixa, com apenas 6 meses de execução do projeto é uma honra. Estar entre as iniciativas de maior destaque do Brasil coroa o nosso esforço conjunto para a realização de um bom trabalho no arquipélago do Marajó”, disse Manuel Amaral, coordenador Regional do IEB Belém, após o anuncio do resultado.

Com 480 mil habitantes espalhados pelos seus 16 municípios, o Marajó possui o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil (0,63), segundo dados de 2013 do Ministério do Desenvolvimento Agrário. As condições ambientais na região também têm se agravado com o passar dos anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que só o município de Portel/ Marajó apresentou mais de 1600 quilômetros quadrados de desmatamento até 2014.

Nesse contexto, o projeto Embarca Marajó surge com o intuito de implementar ações socioeconômicas e ambientais, visando o desenvolvimento local sustentável do território, especialmente nos municípios onde trafega a Agência-Barco Ilha do Marajó. “O grande diferencial do projeto é a dimensão territorial que atuamos e a quantidade de ações executadas, temos atividades de gestão dos recursos naturais, disseminação da economia solidária e fortalecimento da cultura marajoara. Todas essas vertentes em um único projeto”, destaca Rosevany Mendonça, coordenadora Pedagógica dos projetos do IVR.

Alice Aciolli, coordenadora do prêmio Melhores Práticas, ressalta as dificuldades para atuar no território marajoara e a capilaridade conseguida pelo projeto. “O projeto está abarcando 10 municípios em uma região com uma logística muito difícil, a mobilização e união de forças para a execução de suas ações é realmente louvável”, afirma.

A premiação não contemplava iniciativas do estado do Pará desde 2001, o projeto Embarca Marajó foi um dos 3 ganhadores na região norte só nesta edição . Para Manoel Potiguar, gerente de projetos do Peabiru, a conquista do prêmio não significa apenas o reconhecimento do trabalho, mas de um povo: os marajoaras. “Carregamos conosco, no Embarca Marajó, a responsabilidade de representar o ribeirinho, o pescador, o extrativista que vive em um território muitas vezes esquecido pelas próprias políticas públicas”, afirmou.

O Prêmio

O Prêmio “Melhores Práticas” é realizado pela Caixa visando reconhecer e valorizar as experiências bem-sucedidas para melhorar a qualidade de vida das pessoas, e disseminá-las por todo o país. As edições ocorrem a cada dois anos e reconhecem 20 práticas sustentáveis que provocaram impacto na qualidade de vida nas comunidades em que atuam.

O concurso é composto de três etapas. A primeira é regional e nesta edição selecionou as 100 melhores práticas do país. Na segunda etapa ocorreu a avaliação nacional, que resultou na escolha das 35 melhores práticas. Por fim, foi realizada a seleção por um júri externo a Caixa, que determina as 20 vencedoras efetivas do prêmio.

“Esta edição do Prêmio foi bastante concorrida e contou com 250 entidades inscritas em todo o Brasil. Ter representantes do norte entre os ganhadores é uma satisfação não só para os contemplados, mas para a Caixa também”, afirmou Severino Ribas, superintendente regional da Caixa do Norte do Pará. 

A premiação oficial dos 20 selecionados ocorrerá em solenidade a ser realizada em Brasília, no próximo dia 8 de dezembro. Os projetos também irão concorrer em 2016 ao concurso organizado pela Organização das Nações Unidas – (ONU Habitat), em Dubai.

Paulo Cunha, gerente de Governo da Caixa Econômia Federal, ressalta a importância da visibilidade que o projeto Embarca Marajó ganhará com o Prêmio.  “O Embarca Marajó vem fortalecer as práticas já executadas pelos próprios marajoaras. Com a visibilidade gerada pelo prêmio, surgem possibilidades de se efetuarem mudanças mais intensas no território, que podem trazer renda, ocupação e inclusão produtiva”, ressaltou.

 A coordenadora de projetos do IEB, Raimunda Rodrigues, acredita que visibilidade concedida pelo projeto pode lançar outros olhares para o Marajó, que contribuam para a realidade do território. “Esperamos somar mais forças para a execução das ações do projeto. Almejamos que mais pessoas embarquem nessa ideia, para que se dê voz e se faça visível a maior riqueza do Marajó, o seu povo”, finalizou.







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