Projeto Floresta em Pé lança livro sobre os desequilíbrios no setor florestal

Após três anos e meio de execução, o projeto Floresta em Pé (FEP) lançou no dia 30 de março, em Belém, seu último produto

Após três anos e meio de execução, o projeto Floresta em Pé (FEP) lançou no dia 30 de março, em Belém, seu último produto, o livro “Relação Empresa Comunidade no contexto do Manejo Florestal Comunitário Familiar (MFCF)”, que expõe, dentre outros temas, o diagnóstico do setor florestal na área de atuação do projeto, executado por diversas instituições, entre as quais o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

A partir de dados coletados em campo, e suas respectivas análises, a publicação relata uma série de experiências que mostram os desiquilíbrios socioeconômicos entre as empresas e os comunitários nos processos de aproveitamento dos recursos florestais, em regiões do município de Santarém e da BR 163, no Pará.

Segundo um dos organizadores da publicação, Hildemberg Cruz, o desequilíbrio tende a desfavorecer as comunidades por falta de políticas públicas voltadas, por exemplo, à assistência técnica e ao fortalecimento de organizações sociais (ex. associações, cooperativas, etc.), explica Cruz que também é coordenador nacional do FEP. O projeto envolveu em sua execução cerca de 60 pessoas, entre pesquisadores brasileiros e franceses, e dez organizações - a maioria não- governamental.

Em cenários onde os problemas estão mais atenuados, a publicação demonstra que o MFCF é uma alternativa viável, seja com produtos madeiros ou não madeireiros. Com essa abordagem, o livro acaba sendo “uma importante ferramenta para fortalecer politicas de fomento do MFCF”, comenta o gerente regional do IEB, Manuel Amaral, que também é um dos organizadores da publicação.

Entre os casos analisados no livro está aquele em que moradores de assentamentos de reforma agrária – com pouca estrutura - arrendam seus lotes de terra para as empresas explorarem a floresta. Durante a negociação, o resultado da fragilidade social se reflete no rendimento das famílias com a exploração da floresta. “Em geral o que elas recebem está sempre abaixo do praticado no mercado”, explica a coordenadora de projetos do IEB, Katiuscia Miranda.

A participação do IEB no FEP começou em 2007, tendo o objetivo de fortalecer a organização social das experiências (comunidades, associações) acompanhadas no projeto, de modo a melhorar o manejo sustentável dos recursos naturais.

Uma das atividades do Instituto foi ajudar o Grupo Natureza Viva, na comunidade Santo Antônio (quilometro 124, ao longo da BR 163), a melhorar a comercialização de óleo de Andiróba. Dona Maria do Socorro foi uma das atendidas pelos cursos. “Nós aprendemos a melhorar nossa produção e não continuar com o que deu errado. Hoje, nosso óleo já está saindo em embalagens de qualidade, com rótulo”, destaca dona Socorro.

Em outro momento, o IEB assessorou a Cooperativa Mista Flona Tapajó (Coomflona), atualmente com mais de 200 membros - moradores da Floresta Nacional do Tapajós. O apoio, viabilizado pelo projeto FEP, ajudou a profissionalizar aspectos administrativos, que foram desde a relação com os cooperados (ex. transparência financeira) até a elaboração dos contratos com o mercado – que em 2009 renderam para a Coomflona cerca de R$ 2 milhões. “Nós passamos a conhecer o que agente pode cobrar do contador, do administrador.” relembra o presidente da cooperativa, Sérgio Pimentel. “Hoje a gente tem uma organização diferente de antes. Em todos os setores da cooperativa ficou um pouco da colaboração”, finaliza.

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