Projeto Garah Itxa: corredores etnoambientais na Amazônia brasileira” termina neste mês com o lançamento de um livro e um seminário em Porto Velho.

Juntos com a Floresta

?Com a proposta de vincular conservação da biodiversidade e gestão territorial indígena, o projeto “Garah Itxa: corredores etnoambientais na Amazônia brasileira” chega ao seu final com a realização de um seminário e o lançamento de um livro, no próximo dia 27 de setembro, em Porto Velho.

A ideia do evento, que reunirá lideranças de diversos povos indígenas e representantes de diferentes instituições, é expor as atividades desenvolvidas nos três anos do Garah Itxa e refletir sobre os seus desdobramentos. A discussão será organizada em três mesas temáticas, conforme a composição estrutural do projeto: Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas, Fortalecimento Institucional de Associações Indígenas, e Geração de Renda Sustentável e Povos Indígenas.

Após o seminário, haverá um coquetel para o lançamento do livro “Corredores Etnoambientais na Amazônia Ocidental– Principais resultados do projeto Garah Itxa – 2009-2012”, que traz a proposta do projeto, além das ameaças à floresta amazônica, as ações feitas pelos povos indígenas e seus aliados para frear essas ameaças, e os resultados das tentativas de se construir uma nova prática socioambiental na região.

O projeto Garah Itxa, que na língua do povo Paiter Suruí, significa “juntos com a floresta” atua nos corredores etnoambientais Tupi-Mondé e Tupi-Kagawahiwa, situados nas região que engloba o nordeste de Rondônia, o noroeste de Mato Grosso e o sul do Amazonas, e onde estão situadas 13 terras indígenas.

Seu objetivo é fortalecer os indígenas e suas associações em diversos temas para que possam participar de uma estratégia integrada de conservação baseada no conceito de corredores etnoambientais. Reconhecido no contexto da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), é uma espécie de aperfeiçoamento das ideias de corredores ecológicos e mosaicos de áreas protegidas.

Para Cloude Correia, coordenador do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) , “as políticas públicas de proteção da biodiversidade precisam de abordagens mais amplas, em nível regional, e que os corredores etnoambientais integram as preocupações e experiências dos povos indígenas nas práticas e políticas de conservação e desenvolvimento sustentável”.

Os processos históricos de uso da floresta amazônica pelos povos indígenas contêm os elementos essenciais para a elaboração de políticas públicas de conservação. Existe uma correlação entre centros de alta biodiversidade e de alta diversidade cultural, que não é acidental, mas o resultado de séculos de uso sustentável de florestas tropicais.

“Agora a minha fala para o meu povo é que precisamos cuidar do território, que não é somente meu, é das gerações futuras”, conta Almir Narayamoga Suruí, coordenador da Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), sobre o processo desenvolvido pelos Paiter Suruí para realização do reflorestamento da Terra Indígena Sete de Setembro.

Wesley Pacheco, coordenador da Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM), afirma que “a diversidade de problemas existentes na Amazônia em concorrência com a baixa capacidade local das entidades governamentais contribuem para acentuar os problemas ambientais. O projeto Garah Itxa na sua atenção aos processos de formação contribuem para adaptação das comunidades à realidade amazônica”

“No Garah Itxa, o fortalecimento das entidades indígenas contribuiu para a difusão e a troca de conhecimentos, tendo como consequência a sinergia entre os povos indígenas no contexto dos corredores etnoambientais”, explica Ivaneide Cardozo Bandeira, coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.

Os povos indígenas devem ser líderes regionais de conservação, em vez de meros coadjuvantes nas políticas de áreas protegidas. O exercício desta liderança envolve a manutenção e o fortalecimento das suas práticas tradicionais, mas também requer formação e capacitação para atender às novas situações produzidas pelas dinâmicas de exploração de recursos naturais e grandes projetos de desenvolvimento na Amazônia.

Durante os seus três anos de atuação, o Garah Itxa trabalhou no fortalecimento institucional de mais de vinte associações indígenas. Foram realizados cursos de capacitação nas áreas de Agente Ambiental Indígena, gestão territorial e ambiental, atividades econômicas sustentáveis, entre outros, formando lideranças que trabalham para melhorar sua situação ambiental, política e cultural, e também capazes de identificar e denunciar a exploração ilegal dos recursos naturais dentro e fora de seus territórios.

O projeto contribuiu para o fortalecimento da UMIAB (União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira) que tem o papel de discutir sobre as questões de gênero nas políticas para povos indígenas, e para a conclusão de dois projetos de ecoturismo em terras indígenas para a geração de renda sustentável (TI Sete de Setembro e TI Nove de Janeiro).

O Garah Itxa também realizou o Diagnóstico Etnoambiental Participativo com Mapeamento Cultural da Terra Indígena Zoró, envolvendo uma série de oficinas, assembleias e reuniões ao longo dos últimos dois anos do projeto, e a elaboração do Plano de Proteção Territorial e Mapa de Riscos dos povos Jiahui, Paiter Surui e Pykahu-ga (Parintintin), contemplando as terras indígenas Sete de Setembro, Jiahui, Nove de Janeiro e Ipixuna.

O acordo entre a Terra Indígena Jiahui e a Floresta Nacional de Humaitá, fundamentado no etnozoneamento participativo sobre o uso da área sobreposta entre elas é outro marco promissor, pois mostra que as entidades ambientalistas, indígenas e indigenistas podem trabalhar juntos para uma finalidade ambiental em comum.

O Projeto Garah Itxa foi financiado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), é executado por um consórcio de seis organizações brasileiras: Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (Gamebey), Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé e Conservação Estratégica (CSF Brasil), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM) e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).

SERVIÇO
Evento: Encerramento “Garah Itxa: corredores etnoambientais na Amazônia brasileira”
Data: 27 de setembro de 2012
Horário: 8h às 18h – Seminário / 20h - Coquetel de lançamento do livro “Corredores Etnoambientais na Amazônia Ocidental – Principais resultados do projeto Garah Itxa – 2009-2012”
Local: Centro Cultural de Formação da Kanindé - Estrada da Areia Branca Km 14 - Porto Velho/Rondônia

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