Representantes da AIN visitam comunidades afetadas por industrias em Barcarena (PA)

Representantes da organização Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) estiveram em Barcarena (PA), com o objetivo de cumprir uma agenda de reuniões e visitas às comunidades afetadas por grandes projetos ligados a mineração e a cadeia produtiva do alumínio.

Nos dias 01 e 02 de fevereiro, representantes da organização Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) estiveram em Barcarena (PA), com o objetivo de cumprir uma agenda de reuniões e visitas às comunidades afetadas por grandes projetos ligados a mineração e a cadeia produtiva do alumínio. Durante a viagem os noruegueses Arne Dale e Trine Hveem foram acompanhados pelos consultores do IEB, Josinaldo Aleixo, Ciro Torres e pela coordenadora de projetos Silvana Macedo.
Ao chegar em Barcarena,cidade distante da capital paraense cerca de uma hora de barco, o grupo foi recebido por lideranças de movimentos sociais, ONGs e sindicatos e se dirigiu a cinco comunidades, onde ouviu o relato de moradores que tem sofrido com problemas relacionados às atividades industriais, iniciados na década de 1980.
Um dos locais visitados foi o Bairro de Itupanema – o nome faz referência à praia perto da comunidade. Segundo os moradores, o balneário tem sofrido com a perda de visitantes, causada pela contaminação das águas, que é debitada aos rejeitos industriais da produção do alumínio e ao porto da cidade. Nesse caso, um dos problemas que tem afetado o bairro é o cheiro desagradável de excremento bovino, que chega pelo rio. Os animais são exportados vivos e durante o trajeto deixam um rastro de dejetos que escorrem dos chamados navios “boieiros”.
Outras duas localidades que chamaram a atenção dos representantes do IEB e AIN foram, Curuperê e Dom Manuel. Na primeira, foi relatado que a pequena agricultura de subsistência e a coleta de frutos na mata, que por décadas mantém as famílias na região, têm perdido produtividade devido à contaminação do solo e a morte de rios e igarapés. Segundo a líder comunitária do Curuperê, Conceição dos Anjos, muitas famílias estão abandonando as casas em busca de outras formas de sobrevivência. Sobre a situação, Conceição ressalta que se tiverem que sair, "que seja com dignidade para construir sua história em outro lugar”.
Na comunidade Dom Manuel, a situação está exposta no quintal de uma das 150 famílias do bairro. No limite da residência onde aconteceu a reunião com os moradores é possível ver o um grande amontoado de minério. Segundo a comunidade o material seria Manganês, o qual faz parte de uma obra executada aos arredores do bairro. Com a chuva e o vento o minério tem se espalhado pelas residências, atingindo, inclusive, os poços de água das casas. O problema foi denunciado ao Ministério Público no final de 2010 e a população aguarda um posicionamento da justiça.

Reunião e a possibilidade do Diálogo
No dia 02, houve reunião com o Comitê de Acompanhamento dos projetos que o IEB desenvolve em conjunto com a sociedade civil local. Um dos objetivos do encontro foi identificar como a AIN pode apoiar as demandas da sociedade no município, por meio do diálogo com a Norsk Hydro. A empresa, de capital norueguês, comprou a participação acionária da Vale e passou a ser a proprietária dos grandes projetos em Barcarena, que incluem a Albrás, Alunorte e a Companhia de Alumina do Pará - esta última ainda em fase de implantação. Para Arne Dale, “O diálogo com a empresa é um processo importante que pode dar certo e pode melhorar a situação em Barcarena”, explica.
Segundo Arne, que esteve no município em 2009, a condição nos bairros parece estar pior, principalmente em relação à contaminação das águas. Contudo, ele pondera que há um aspecto positivo encontrado nessa visita, “As comunidades estão unidas para lutar por uma vida melhor. Essa é uma das maneiras para alcançar as soluções do problema”, concluiu o coordenador do Programa Brasil da AIN. As comunidades de Barcarena estão abertas ao diálogo e esperam que Norsk Hydro evite cometer os mesmos erros de sua antecessora. “Nós queremos discutir com a empresa um modelo de responsabilidade social para o município”, conclui a líder comunitária, Cleide Góes.

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