Sem regularização fundiária, sem conservação ambiental

Ribeirinhos de Boca do Acre aguardam há mais de seis meses a volta da SPU para a regularização das suas terras.

 

Os ribeirinhos que vivem no município de Boca do Acre aguardam há mais seis meses a volta da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) para a regularização das suas terras. A SPU iniciou os trabalhos de georreferencimento e cadastro nos meses de novembro e dezembro de 2012.

“Eles se comprometeram com a sociedade de Boca do Acre, inclusive com o movimento social, a retornar no mês de março de 2013 para terminar o trabalho nas áreas que ficaram pendentes, mas não voltaram até agora,” afirmou Luzia Santos da Silva, diretora do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) de Boca do Acre.

Luzia conta que foi encaminhado um documento para a SPU no início de março, pedindo pelo cumprimento da agenda que tinha sido iniciada. “Até agora eles não mandaram resposta,” disse Luzia. “No sul do Amazonas, a SPU está deixando a desejar. Veio aqui, gerou expectativa, mas se não voltar para concluir, pouco vai adiantar”.

Para Manoel Cunha, atual diretor de finanças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), os ribeirinhos têm um papel fundamental na conservação das florestas do Amazonas já que a maioria das unidades de conservação do estado está em áreas de várzea: “No caso da Médio Juruá, 90% das comunidades estão na várzea. É na várzea que está a andiroba, a borracha, o açaí, o manejo do pescado. As riquezas vêm da várzea. Por isso a importância de se fazer a regularização dessas áreas.”

Manoel está preocupado com a demora da regularização fundiária no sul do Amazonas. “A perna da SPU, na nossa avaliação, é muito pequena para tudo isso. Existe uma demanda gigante e a nossa pergunta é: quanto tempo a SPU vai levar para correr essa Amazônia inteira? Para correr esses rios federais de ponta a ponta? Vai levar muito tempo e eu não sei se nossas comunidades vão ter condições de esperar por tudo isso, pois há muitos conflitos e interesses contrários nessa região”, afirmou Manoel Cunha.

 







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