Seminário discute o futuro sustentável de Humaitá

O objetivo do “Seminário Municipal foi aprofundar e refletir sobre questões levantadas em um ano inteiro de trabalho entre equipe do IEB, sociedade civil, e parceiros institucionais.
Maria Emília Coelho, de Humaitá

Sala cheia. Cerca de 120 pessoas de diversas comunidades e instituições reunidas para discutir problemas e soluções. Todos pensando juntos, planejando um futuro mais sustentável para Humaitá, no Sul do Amazonas. O objetivo do “Seminário Municipal - Plano de Desenvolvimento Local Sustentável de Humaitᔠfoi aprofundar e refletir sobre questões levantadas em um ano inteiro de trabalho entre equipe do IEB, sociedade civil, e parceiros institucionais. Foram muitas reuniões, oficinas e atividades de preparação até o momento da entrega do diagnóstico no seminário realizado nos dias 15 e 16 de março.

Na abertura do evento, no antigo auditório da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ailton Dias, coordenador do Projeto de Desenvolvimento Local Sustentável (PDLS), lembrou quando o IEB chegou ao Sul do Amazonas anos atrás: “Vimos que havia um grande número de programas e políticas públicas federais e estaduais para investimentos nos municípios da região. Mas, por falta de organização, os municípios não conseguiam obter esses recursos. Era necessário um trabalho lento e difícil de apoio à organização das pessoas, comunidades, associações e sindicatos, e também de apoio à organização do poder público”.

O projeto começou a ser desenvolvido em março de 2011. O primeiro passo foi estudar a situação da gestão pública municipal de Humaitá e fazer um levantamento de todas as políticas públicas para a região. Foi criada uma Comissão do Plano de Desenvolvimento Local de Humaitá com representantes da sociedade civil e de instituições de Humaitá, além de uma equipe de Colaboradores com participação de alunos e professores das universidades da região. Durante o ano aconteceram diversas reuniões de treinamento e planejamento para discutir processo participativo, agenda, e divisão de tarefas e responsabilidades.

O terceiro passo foi sair a campo e potencializar a participação da população de Humaitá através de oficinas com as comunidades e organizações locais divididas em três setores do município: Estrada (moradores das margens da BR-319 e da Transamazônica), Rio (moradores da beira do Rio Madeira), e Sede municipal (população urbana). De outubro a dezembro do ano passado, aconteceram 15 oficinas em distintas localidades, onde foram registrados os problemas e as propostas mais importantes de cada setor.

“Antes de pensarmos nos investimentos que o município pode ter, e para onde vai o desenvolvimento, a aposta é na organização das pessoas. Esse evento tem um valor altíssimo porque é a oportunidade da população de Humaitá discutir o futuro do município”, explicou o coordenador do Projeto de Desenvolvimento Local Sustentável, financiado pelo Fundo Vale.

Em seu discurso, Dom Francisco Merkel, bispo da Diocese de Humaitá, também falou da importância de se investir nas pessoas: “A vinda do IEB é um presente para o Sul do Amazonas. Desde o inicio a Diocese se abriu para ser parceiro de um trabalho que visa o homem vivo, completo, social, individual e inserido”.

Durante o seminário, os três grupos Rio, Estrada e Sede, mais o grupo formado pelas instituições, foram rearranjados em quatro grupos de trabalho temáticos: “Educação”, “Infraestrutura”, “Produção, Meio Ambiente e Conflitos Agrários” e “Saúde, Assistência Social e Conflitos Agrários”. Cada grupo discutiu e sistematizou os problemas e propostas levantadas durantes as oficinas, indicando as prioridades e os próximos passos.

“Hoje a gente está vendo a necessidade dessas pessoas e o que elas anseiam. É um passo importante porque a partir do momento que as comunidades estão organizadas elas passam a ter acesso à informações que não conheciam”, declarou Airton Brissow, Secretário Municipal de Meio Ambiente e Turismo.

“Na minha comunidade não tinha escola e as crianças não estudavam. Sou o primeiro professor da minha comunidade. Mas existem comunidades com 100 pessoas que não tem uma escola de qualidade. É a terceira reunião do projeto que participo. Estou adquirindo um conhecimento aqui para levar para a minha comunidade”, contou o professor Josimar Maciel da comunidade Belo Horizonte.

Raimundo Nonato dos Santos da comunidade Puruzinho, que participou do Grupo de Trabalho de Educação, disse que ficou acertado como próximo passo a elaboração de um documento com os objetivos da população de Humaitá nesse setor para ser entregue às autoridades: “É uma forma de nós lançarmos nossas propostas. Dificuldades sempre vão aparecer, mas através do nosso empenho e boa vontade vamos conseguir realizar os nossos objetivos”.

No fechamento do seminário, ficou combinado que a equipe do IEB irá organizar um documento com todas informações levantadas durante os dois dias de trabalho e convocar uma nova reunião da Comissão do Plano no próximo mês. Ailton Dias explicou que o seminário representa a conclusão de uma etapa de um processo bem maior: “Nós estamos discutindo hoje a Humaitá do Futuro. E esse futuro não é de um ou dois anos, é um futuro de pelo menos dez, vinte anos de trabalho para perseguir e alcançar todas as metas que a gente pontuou aqui”.

Ao final, para desejar energias positivas para o Projeto de Desenvolvimento Local Sustentável de Humaitá, todos os participantes do seminário deram as mãos em uma roda formada no pátio da UFAM, e exclamaram juntos: Viva!

Humaitá na mira do “Arco do Desmatamento”

O município de Humaitá fica na confluência das rodovias BR-319 e BR-230 (Transamazônica), e faz divisa com os estados de Rondônia e Mato Grosso, onde a abertura de rodovias, e o avanço das atividades agropecuárias, causou, e ainda causa, danos ao meio ambiente e às populações ribeirinhas e indígenas. Assim, o município sente cada vez mais a pressão do avanço do chamado “Arco do Desmatamento” da parte sul da floresta brasileira. Porta de entrada da Amazônia Central e Norte, a porção mais preservada de toda a região, Humaitá tem 40% do seu território formado por áreas protegidas.







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