Sul do Amazonas: 300 extrativistas e produtores rurais ameaçados reivindicam proteção e garantia de seus direitos fundiários.

Mais de 300 produtores rurais e extrativistas de Boca do Acre estão acampados na unidade local do Incra para reivindicar proteção diante de ameaças de morte que os trabalhadores vêm sofrendo por conta de conflitos agrários, tensões e dificuldades nas comu

Desde segunda-feira (15/08), mais de 300 produtores rurais e extrativistas de Boca do Acre, divisa entre os estados do Amazonas com o Acre, estão acampados na unidade local do Incra para reivindicar proteção diante de ameaças constantes de morte que os trabalhadores vêm sofrendo por conta de conflitos agrários, tensões e dificuldades nas comunidades e seringais. A primeira rodada de negociações com o Incra, ocorrida na terça-feira (16/08) não apresentou resultados e os técnicos do órgão federal empurraram os assuntos estruturantes para Brasília. As lideranças não pretendem sair do local enquanto as reivindicações estiverem pendentes.

Na pauta do manifesto consta a efetivação dos programas federais já existentes, mas que por algum motivo, não estão chegando à região, que é carente de regularização fundiária, estudos com definição para projetos agro-extrativistas, assistência técnica e linhas de crédito, abertura de ramais (estradas), patrulha mecanizada (para os assentamentos) e manejo florestal para Reservas Extrativistas (Resex) e Florestas Nacionais (Flonas), habitação e a implementação do programa Luz para Todos.

O município de Boca do Acre faz parte do corredor sócio-ambiental que abrange seis municípios (Novo Aripuanã, Manicoré, Humaitá, Boca do Acre, Lábrea e Canutama) beneficiados por meio do Programa de Desenvolvimento Sustentável Local (PDLS), gerido pelo IEB com apoio financeiro do Fundo Vale. O objetivo do PDLS é fortalecer as capacidades dos poderes públicos municipais e das organizações da sociedade civil do sul do Amazonas para a construção de um modelo de desenvolvimento local pautado na conservação dos recursos naturais e na garantia dos direitos dos povos locais.

Localizado no sul do estado do Amazonas, na margem esquerda do rio Purus, o município de Boca do Acre tem aproximadamente 30 mil habitantes e foi o que mais desmatou entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011, segundo dados do INPE. Instalado desde março, o escritório do IEB em Boca do Acre tem a missão de colaborar na realização das oficinas de planejamento e facilitar a agenda local para a implantação do PDLS. Neste sentido, o assessor de campo José Spanner acompanha o processo de negociação entre os produtores e as autoridades federais, e atualiza os acontecimentos para a coordenação do programa em Brasília.

A manifestação tem o apoio do Fórum de Desenvolvimento Sustentável de Boca do Acre (FDSB), uma instância que agrega diversas organizações representativas das populações locais, como associações comunitárias e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR), além de entidades de apoio como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). A coordenadora do FDSB, Luzia Santos da Silva, que segue na ocupação, garante que a ação é pacífica: “é um movimento das lideranças agroextrativistas do município que têm suas áreas de uso sob constante ameaça da grilagem de terras, que no último ano intensificou na região”.







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