Turma de Rondônia encerra participação no curso Formar PNGATI

Cursistas participam de intercâmbio na Terra Indígena Zoró sobre a experiência da castanha

O quinto e último módulo do Curso Básico de Formação em Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Formar PNGATI) de Rondônia foi realizado no período de 25 a 29 de agosto. O encontro começou com o intercâmbio na Terra Indígena Zoró, no Mato Grosso, para conhecer a experiência do povo Zoró com a castanha.

Eles foram recebidos pelas lideranças indígenas que contaram o modo de vida dos Zoró, a luta pela conquista da demarcação, o contato com os não índios e a organização da produção da castanha. “Desde antigamente os Zoró já trabalhavam com a castanha e coletavam como alimento”, disse Davi Zoró, liderança indígena.

A diretoria da Associação do Povo Indígena Zoró (Apiz) conheceu o trabalho do Programa Integrado da Castanha (PIC) e os indígenas começaram a participar dos intercâmbios de boas práticas. “Nesses intercâmbios nós vimos que é possível trabalhar com a castanha de boa qualidade e de forma sustentável”, disse Tiago Zoró, presidente da Apiz.

Os cursistas conheceram de perto as dificuldades que os Zoró enfrentam para comercializar a castanha. “Esse trabalho é muito mais do que uma fonte de geração de renda, também contribui na educação ambiental, cultura e vigilância da terra,” explicou Tiago Zoró. Para Maria Leonice Tupari, conselheira da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab), “o intercâmbio me ajudou a ter mais força e vontade de lutar pelos nossos direitos mantendo a cultura tradicional”.

Seminário de Diálogo Intercultural

Nos dias 28 e 29 os participantes foram para o Centro de Formação Paiter Suruí, da Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí, no município de Cacoal, para apresentar suas propostas de implementação da PNGATI na região. Representantes de várias instituições estiveram reunidos no seminário como Sônia Guajajara, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Maximiliano Tukano, coordenador geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Almir Suruí, cacique da Terra Indígena Sete de Setembro.

De acordo com Sônia Guajajara, “a formação como uma das primeiras ações da Política é providencial porque somente a partir dessa formação é que nós vamos ter as pessoas multiplicadoras e que estarão entendendo e levando para os demais o que é a PNGATI.” “Não adianta querer fazer uma gestão de terra indígena se a gente não inserir o município, o estado e todo o arranjo institucional, só assim que nós vamos conquistar e avançar nessas políticas públicas”, explicou Almir Suruí. Para Maximiliano Tukano, “nós precisamos mostrar de que forma nós queremos gerir as nossas terras e de lideranças capazes de conduzir para que nós possamos viver bem dentro delas”.

Os participantes se dividiram em oito grupos a partir de trabalhos como a experiência da castanha e o plano de ecoturismo dos Paiter Suruí. “Esse projeto tem o foco de valorizar a cultura porque é a nossa identidade”, disse Sandro Suruí, integrante do grupo dos Paiter Suruí.

Ao final do curso os participantes receberam os certificados do encerramento do curso básico Formar PNGATI. “Foi um curso muito importante pelo conteúdo, pelo conhecimento adquirido com relação a cultura indígena, gestão dos territórios indígenas e contribuiu bastante para o nosso trabalho para ajudar a encaminhar situações conflitantes em áreas em que há sobreposições e limites com terras indígenas”, avaliou Paulo Garcia, da coordenação regional de Porto Velho do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).







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